sexta-feira, julho 13, 2007

Short List

Nunca fui muito fã de listas. Nem sempre entendia por que um livro ou um filme era melhor que o outro e posto numa hierarquia que ignorava todo o resto dos que ficavam de fora e que poderiam ser tão bons ou até melhores que os escolhidos como muito bons. E há sempre aqueles livros ou filmes que, por piores que fossem para o resto da humanidade culta, sempre podiam chamar a minha precária atenção para uma cena ou uma frase perdida no meio da página, blá-blá-blá. Mesmo assim, decidi aceitar o desafio da Alessandra Marucci, seguindo recente corrente literária da blogolândia, e fazer a lista dos livros que mudaram a minha vida, se não para sempre, ao menos por alguns instantes (lágrimas). Ecco:

O Segredo, de Rhonda Byrne
O Alquimista, de Paulo Coelho
Homens São de Marte, Mulheres São de Vênus, de John Gray
O Monge e o Executivo, de James C. Hunter
As Cinco Pessoas que Você Encontra no Céu, de Mitch Albom

E tantos outros que me ajudaram a descobrir “quem somos nós”, de acordo com a Lei da Atração, e fizeram a fama, a glória e a fortuna de seus autores (e só deles), etc.

Brincadeirinha. Agora, a lista séria, canônica e definitiva (empino o nariz, ergo a sobrancelha, coloco a peruca), ou nem tanto, já que muitos de que gosto, pra variar, ficaram de fora, como Vidas Secas, A Ilha do Tesouro, Dom Casmurro, Orgulho e Preconceito..., mas seleção é corte mesmo, fazer o quê. Voilà, sem ordem de preferência (soam os trompetes, rufam os tambores, erguem-se os lenços):



As Partículas Elementares, de Michel Houllebecq - o mais cínico dos autores contemporâneos, na narrativa de dois irmãos, filhos de pais ausentes da geração de 68, em duas trajetórias distintas. Em um, o desespero, a solidão. Em outro, a redenção da humanidade pela ciência. Em ambos, as disfunções sexuais, abjetas, cruéis, pontuando a narrativa de forma ultra-realista. E tudo tão amargo, numa linguagem crua, objetiva, "científica", que se torna irônico no final das contas. As digressões também são maravilhosas.

Moby Dick, de Herman Melville - a humanidade num navio, o Pequod, liderado por um lunático (ou um grande líder? ou profeta?) contra seus monstros e tormentas interiores, numa aventura pelos sete mares, reverberando a Bíblia, Shakespeare, a democracia americana, os gregos, a Odisséia na grande caçada em busca de Leviatã ou da grande baleia branca, que é a esfinge devoradora, indecifrável. Uma travessia fadada ao fracasso, mas onde vale a viagem. "Chama-me de Ismael".

Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato - o mundo do conhecimento, da cultura é o mundo da diversão para as crianças e criaturas encantadas do Sítio do Pica-Pau Amarelo, e das coisas descobertas pela primeira vez.

A Volta do Parafuso, de Henry James - assombração? Ou imaginação? Ou delírios de sexualidade reprimida de uma jovem governanta? Em curtas páginas, longas e elaboradas sentenças, um mistério que permanece na Inglaterra Vitoriana do século XIX, pelo mais inglês dos autores americanos. De arrepiar.

Notas do Subterrâneo, de Fiódor Dostoiévski - as inúmeras camadas de todo ser humano reunidas num individuo amargo que desde o início se afirma como desprezível. Duro desde a primeira sentença.

E passo o desafio de escolher outros cinco melhores livros para as seguintes “vítimas” virtuais (se é que alguma delas lê isso aqui): Alexandre, Andros, Carlos, Leandro e Vébis Jr., e lembrando que cada um, caso aceite a brincadeira, deve indicar em seu blog não só os cinco livros favoritos, mas também apontar outros cinco blogueiros para o mesmo e nobre propósito. Have fun, my dear friends!

9 comentários:

Rodrigo disse...

Oi, achei teu blog pelo google tá bem interessante gostei desse post. Quando der dá uma passada pelo meu blog, é sobre camisetas personalizadas, mostra passo a passo como criar uma camiseta personalizada bem maneira. Se você quiser linkar meu blog no seu eu ficaria agradecido, até mais e sucesso. (If you speak English can see the version in English of the Camiseta Personalizada. If he will be possible add my blog in your blogroll I thankful, bye friend).

Alê disse...

Nossa, quando vi "O Segredo" na lista de cima eu pensei "como assim???". Quando passei para o segundo livro entendi a pegadinha. ;)
Beijo.

Lorde David disse...

Ok, Rodrigo. Agradeço a visita e sucesso nos negócios e nessa nossa vida cheia de surpresas.

A intenção era mesmo essa, Alê. :)Mas O Segredo é legal, não é? Afinal, passou no Espaço Unibancool, território sagrado dos culturetes paulistanos e tal, e até o Michel foi ver. HAHAHAHA. Um beijo.

Ailton disse...

Hahahaha! Muito bom, muito bom... Mas sabe que eu li O ALQUIMISTA e nem achei tão ruim assim..hheh

Lorde David disse...

Eu tive que ler O Diário de um Mago à força para um curso na faculdade. Detestava o curso e, acho que por causa disso, passei a não gostar também de Paulo Coelho desde então, hehehe. Mas ele é uma sensação na Europa. Quem sabe eu goste do filme do Mago ou do Alquimista, se um dia finalmente for feito, hehehe.

Ailton disse...

Eu tenho medo do DIÁRIO DE UM MAGO. Sabe aquele feitiço do "mensageiro" que ele ensina? Eu fui experimentar? E acabei vendo uma criatura muito estranha, como nos filmes de David Lynch. Brrr...

Lorde David disse...

Ah, é? Que interessante. Vou experimentar. Acho que não vou me assustar, já que vejo fantasmas por toda a parte e estou acostumado a encarar aparições, sobretudo no trabalho, hehehe.

Andros Renatus disse...

Pôxa, cara, me desculpa, mas não vou passar a brincadeira pra frente... Mesmo assim, eu digo pra você agora minha lista:
1. Grande Sertão Veredas;
2. O Deserto dos Tártaros;
3. O Vermelho e o Negro;
4. Memorial do Convento;
5. Memórias do Subsolo.

Lorde David disse...

Não tem problema, Andros. Também tive dificuldades para achar amigos virtuais. Até os reais andam em falta, hehehe. Mas fico contente que você tenha feito a lista. Temos um livro em comum. E esse do Saramago eu li para o vestibular da UNICAMP ou da Fuvest há muito tempo. Gostei na época, achei-o bonito em várias passagens, vi a peça que fizeram e tal, mas depois, lendo outros livros dele, como O Ano da Morte de Ricardo Reis ou A História do Cerco de Lisboa, fui percebendo que ele é tipo de autor barroco que gosta de chamar mais atenção para as frases que escreve do que para a narrativa. E cada vez gosto menos do barroco. Mas é uma opinião minha. Um abraço.