quinta-feira, fevereiro 01, 2007

A Costela de Adão

(Adam's Rib, EUA, 1949)



Spencer Tracy e Katharine Hepburn formam um casal que como todo casal tem opiniões discordantes sobre as mínimas coisas, mas vive burocraticamente feliz sobre o mesmo teto, dividindo a mesma cama, o mesmo jornal, o mesmo assado e uma outra casa (e estábulo) em Connecticut, essas coisas. São advogados, em lados opostos, claro. Ela é defensora; ele, promotor público. Não tão longe dali, a revoltada (e esfomeada) Judy Hollyday pega uma arma e atira no marido infiel (Tom Ewell), ferindo-o. E depois ainda chora de pena do "coitado". Spencer, ou melhor, Adam pega o caso para instaurar o processo de acusação, acreditando obter rápida condenação. Katharine, ou melhor, Amanda decide defendê-la, alegando que se ela fosse um homem na mesma situação as coisas seriam um pouco diferentes aos olhos da sociedade, ainda muito machista. Arma-se o circo midiático dentro e fora do tribunal. E a guerra dos sexos, tema comum de outras comédias do casal Tracy-Hepburn, se transfere para a corte e tudo se complica. Adam, um maridão conservador, se aborrece com o atrevimento feminista da esposa e o casamento derrapa nesta clássica comédia de George Cukor, que exalta o roteiro da dupla Ruth Gordon e Garson Kanin, a grande estrela do show, repleto de diálogos afiados e situações improváveis e imapagáveis no tribunal, mas que brilham sob a elegante direção de Cukor. A melhor tirada, a cargo de Kip Laurie (David Wayne, sarcástico), músico e vizinho inconveniente do casal, eternamente apaixonado por Amanda, para quem compõe até uma música, a muito tocada “Farewell, Amanda” (original de Cole Porter), que diz certa feita para ela: “Advogados não deveriam se casar com outros advogados. É como casamento entre parentes, do qual nascem filhos retardados... e mais advogados”. O mesmo vale para publicitários, médicos, analistas de sistemas, artistas, engenheiros, professores...

3 comentários:

Alê disse...

Hahaha. Genial a sua tirada final. Eu jamais me casaria com um analista de sistemas. Deus que me livre!
Beijo.

Lorde David disse...

E eu nem me casaria. Casar, no intransitivo, sem complemento, jamais. Um beijo.

Lorde David disse...

E bem-vinda de volta, milady! Um beijo.