quinta-feira, setembro 20, 2007

Os Mensageiros

(The Messengers, EUA, 2007)



Não achei ruim como andaram dizendo por aí este debut dos irmãos Pang (The Eye – A Herança, Visões, Assombração) em Hollywood, com produção da Ghost House de Sam Raimi (responsável por O Pesadelo e pelos remakes americanos de O Grito 1 e 2). Apesar do suspense não ser tão bem construído, reprisarem clichês de outros filmes e apelarem convenientemente para sustos fáceis, com os previsíveis sobressaltos provocados pela trilha sonora aumentada, deflagrada pela súbita aparição de um vulto qualquer, no entanto, como em Assombração, os Pang demonstram grande talento na construção de imagens ora oníricas, ora ameaçadoras, mesmo na estória manjada tipo Amityville de uma família endividada e em crise que se muda para uma casa cujos antigos membros desapareceram, conforme se anuncia no prólogo. O pai (Dylan McDermott), disposto a começar vida nova na fazenda, encara a realidade de plantador de girassóis como um desafio e com certo otimismo. Tanto que certa feita recusa uma oferta maior pela casa, oferecida pelo ator que costumava interpretar o "The Cigarrette-Smoking Man" na série Arquivo-X (William B. Davis). A filha adolescente (Kristen Stewart), obviamente rebelde, como um castigo. Porém, dia a dia, ela passa a notar vultos sinistros andando pela casa, que o seu irmão menor enxerga muito bem, em momentos que homenageam O Iluminado. E dá-lhe assombrações e espectros aparecendo e desaparecendo ou agarrando a menina no sótão ou chacolhando a casa inteira como em Poltergeist – O Fenômeno. E dá-lhe também o momento Os Pássaros nos corvos ameaçadores que constamentemente sobrevoam a casa e a plantação. Mas a ameaça é mais real do que a família imagina, vinda de um ser humano, porque o inferno está mesmo nas pessoas, sobretudo naquelas que se dizem tão simpáticas, amigas e cheias de conselhos de auto-ajuda para dar e vender, como constata a reviravolta final, já que, como estamos em Hollywood, há a necessidade de reviravolta, de explicação e de redenção para os protagonistas, e não de encerrá-los para sempre num mundo de onde não possam sair mais, como em Assombração. Apesar disso, vi este filme curto com interesse e admirando sobretudo cada minuto das suas belas composições visuais. Algumas, como os corvos sobrevoando a plantação de girassóis, não deixam de lembrar as famosas telas de Van Gogh.

4 comentários:

Osvaldo disse...

McDermott está nas prateleiras das locadoras com um filme interessante: O INQUILINO (The Tenants). Nele, o ator contracena com Snoop Dogg, que está bem por incrível que pareça.

Devo ver este filme em cartaz mais por causa dele. Eu o acho um dos melhores atores da sua geração.

Lorde David disse...

Gostava dele na série Ally McBeal. O filme não é grande coisa, nem assusta, mas vi com certo prazer, e o McDermott realmente está bem. E obrigado pela dica, vou ver se alugo este filme, quase não tenho alugado nada ultimamente, hehehe.

Osvaldo disse...

Acho que assim como eu vc vai gostar muito das cenas onde há o duelo de idéias entre os personagens de McDermott e Dogg, que são escritores no filme. A produção dá uma caída por causa de um tempo maior dedicado a outro personagem, mas creio que seja um bom filme. Não esperava nada dele e até me surpreendi um pouco, sabe? rs.

Lorde David disse...

Nice!