sexta-feira, setembro 28, 2007

Irina Palm

(Reino Unido/Luxemburgo/Bélgica/Alemanha/França, 2006)



Relativo sucesso na França em sua modesta escala, superando nas bilheterias gaulesas até o excelente Death Proof de Quentin Tarantino, esta co-produção européia ambientada no Reino Unido e dirigida pelo alemão radicado na Bélgica Sam Garbarski, cujo penúltimo e ótimo filme, o belga-luxemburguês falado em francês (e em hebraico e iídiche e árabe também) O Tango de Rashevski (quanta nacionalidade, mein Gott!), fez também surpreendente sucesso nos cinemas daqui da terra da esquistossomose e da cachaça governamental, é estrelada pela roqueira inglesa Marianne Faithfull, numa interpretação contida, cheia de nuances. Aqui, ela vive a viúva Irina, uma senhora de idade da classe proletária inglesa, que, precisando urgente de dinheiro para o tratamento na Austrália do neto que sofre de uma doença rara, passa a masturbar homens por dinheiro numa casa de “tolerância” de Londres sem nunca vê-los, já que os respeitáveis senhores enfiam anonimamente seus membros por um buraco, e que vira a sensação do inferninho local, ganhando até a gloriosa alcunha de “Irina Palm”, gerando filas e filas e, principalmente, rancores. Ou seja, entrega-se de corpo e alma, de corpo, sobretudo, dando a mão à “palmatória”, a um ofício nada mais do que “braçal”, embora muito mal-visto por todos.

Em certo momento, o filho chato dela, a inveja de uma outra especialista em “hand job”, passada para trás por causa do inesperado sucesso de Irina, e as dores freqüentes ocasionadas por lesão por esforço repetitivo (no filme, conhecida como “Penis Elbow”, num trocadilho jocoso com “Tennis Elbow”) ameaçam o seu reinado. Apesar disso e da situação degradante em que se vê envolvida no dia-a-dia, o filme flui bem e segue britanicamente bem-humorado em suas tiradas, sem sucumbir ao escracho deslavado do tipo O Barato de Grace ou Full Monty ou resvalar no moralismo ou na polêmica pela polêmica, apesar de alguns surtos melodramáticos do filho de Irina (Kevin Bishop), quando ele descobre onde a sua mãezinha andou “metendo” a mão para salvar o neto. A naturalidade com que uma situação dessas vai se impondo deve-se muito, por que não, à boa “mão” do diretor Garbarski, à neutralidade com que filma, concentrando-se somente em mostrar o rosto de Irina nos momentos mais embaraçosos (ou divertidos) para o espectador voyeur, conseguindo assim extrair também intensa humanidade dos tipos que gravitam nesse mundinho, onde vigorariam os baixos instintos, embora eu ache que o imigrante Mikki (Miki Manojlovic), dono do estabelecimento e que começa a nutrir genuíno afeto pela vovó punheteira, seja um tanto bonzinho demais. Nada que atrapalhe esta agradável surpresa, no entanto. E chega de trocadilhos, por favor. Deixe isso para os distribuidores nacionais do filme e seus criativos títulos do tipo "Dando uma Mãozinha", "Em Tuas Mãos", "Nas Mãos de Irina", etc., etc.

1 comentário:

Jane O'Connor disse...

Miss you, my lord. :)