terça-feira, janeiro 29, 2008

O Gângster

(American Gangster, EUA, 2007)



Copiando e prevalecendo sobre a estrutura das famílias mafiosas italianas de Nova Iorque, a fulminante trajetória do negro Frank Lucas, que, de motorista de um poderoso gângster do Harlem dos anos 70, torna-se o principal fornecedor da mais pura (e barata) heroína contrabandeada em aviões militares americanos vindos da Indochina, em plena guerra do Vietnã, e vendida nas ruas do bairro com o nome de “Blue Magic”. Frio e violento, porém, com uma ética toda voltada ao trabalho para atingir à sua maneira o sonho americano, Lucas vai à igreja aos domingos, ouve sempre a mãe, é dedicado aos parentes e casa-se na igreja com a esposa que ama e lhe é fiel. Paralelamente, a jornada de seu oponente, o honesto policial branco Richie Roberts, que, malvisto pelos colegas do distrito por ser correto até demais, passa a trabalhar para os federais com uma equipe recém-formada e encara com uma dedicação quase solitária a dura tarefa de derrubar o traficante celebrizado como "Superfly", ao mesmo tempo em que enfrenta problemas familiares e leva uma desregrada vida pessoal, tendo até mafiosos em seu restrito círculo de amizades. No meio deles, o corrupto policial Trupo, muito bem interpretado por Josh Brolin (Planeta Terror, Onde os Fracos Não Têm Vez), em mais um ótimo filme do diretor Ridley Scott (do formidável Falcão Negro em Perigo e do subestimado, mas belo Cruzada), aqui sem meios tons ou frescuras visuais estilizadas, atento aos detalhes, tornando-os quase sempre épicos e grandiosos, e com impecável recriação de toda a atmosfera de uma violenta e decadente Nova Iorque setentista, em contraste com o requinte da mansão "sulista" de Lucas, em que o bandido, vivido pelo bom moço Denzel Washington (sobrando no papel), e o bom moço, interpretado pelo bad motherfucker Russell Crowe (pra variar, sensacional, na terceira parceria com Scott), têm mais em comum do que imaginam, como antípodas que dialeticamente se complementam, algo recorrente na obra de Scott (vide Os Duelistas), ainda que o desenlace convencional dessa história baseada em fatos reais seja um tantinho desapontador.

6 comentários:

Alex Gonçalves disse...

Saudações, David!

Bem, não vi “O Gângster” e pretendo assisti-lo somente em DVD. Parece que, desta vez, Ridley Scott acertou demais ao dirigir o elenco e menos na história que orquestrou. É um diretor que, apesar de ter sido responsável por dois dos meus filmes prediletos – “Alien – O Oitavo Passageiro” e “Hannibal” – ainda está em dívida comigo.

Andros Renatus disse...

Olá! Foi legal mesmo este filme não ter as "frescuras visuais estilizadas" de Scott. Quanto a "Cruzada", também achei belo, mas bobo, assim como "Gladiador"... (se comparar com os épicos clássicos de Anthony Mann, William Wyler, Cecil B. De Mille, Joseph Mankievicz, Stanley Kubrick...)

Lorde David disse...

Saudações, Alex. Vale a pena ver O Gângster no cinema, não só pelo elenco que, além dos dois atores principais, conta com ótimos coadjuvantes. Apesar do roteiro, é um dos melhores filmes do Scott, embora não no mesmo nível de Alien ou Os Duelistas. E acho Hannibal também bastante interessante. Um abração.

Cruzada melhora bem na versão estendida, lançada em DVD lá fora e disponível para download, André. Já Gladiador é o filme que menos gosto do Scott. Mas concordo que seus épicos são mais castos em relação aos de De Mille ou Mankiewicz, por exemplo, que tinham subtextos bastante eróticos. Um abraço.

Osvaldo Neto disse...

Fiquei curioso p/ conferir o CRUZADA em versão estendida. Acho bacana, muito melhor que aquela coisa chamada GLADIADOR.

Já eu fiquei bem surpreso com O GÂNGSTER, não esperava filme tão bom vindo do Scott hehe.

Lorde David disse...

Eu já gostava do Cruzada na edição dos cinemas. Sempre gostei dos filmes do Scott, mesmo do odiado GI Jane, hehehe. E quando vi Tropa de Elite, não pude deixar de pensar na Demi Moore e nos outros Marines catando comida do chão durante o treinamento e apanhando Viggo Mortensen, hehehe. Quanto ao Gângster, ele vinha num crescendo eletrizante. Depois, buscando uma redenção dos dois protagonistas, achei que vira uma diluição de O Informante, mas ainda assim é um ótimo filme e a cena do Washington sozinho, saindo da prisão no final também é muito boa.

Osvaldo disse...

Não vi GI JANE!