quarta-feira, janeiro 16, 2008

Meu Nome Não é Johnny

(Brasil, 2007)



Baseado em livro-reportagem de Gulherme Fiuza, a trajetória real de João Estrella (hoje produtor musical), que, de jovem surfista maconheiro da classe média alta da Zona Sul carioca passou a ser, em fulminante ascensão, um dos principais fornecedores de cocaína para o jet set e beautiful people da galera bronzeada do Rio de Janeiro. Também era um dos principais consumidores de seu próprio veneno, já que cheirava quase todos os seus dividendos. Sempre ao lado de sua mística namoradinha (Cléo Pires), também se envolveu num perigoso, mas lucrativo esquema de tráfico para a Europa, onde tudo era farra e festa, como sempre fora na sua vida desregrada. Porém, tanta inconseqüência tem um custo, claro, pois um dia é pego em flagrante, encarcerado na cadeia da Polícia Federal para depois ser levado a julgamento, num filme que segue demonstrativo e bem-humorado até a entrada em cena da juíza do caso (Cássia Kiss), com o seu olhar severo e moralizante, mas campassivo, que o livra da cadeia, e com direito a discurso redentor de seu arrependido protagonista no final. Ainda assim, um digno trabalho do diretor Mauro Lima, num filme que, no geral, sem querer ser moderninho a todo custo e apesar da temática, é surpreendentemente espirituoso, dinâmico, muito longe da bomba que andam cotando por aí, com divertidas seqüências, como a do “passeio” noturno de João com dois policiais corruptos que querem achacá-lo a todo custo, mas na maior "tranqüilidade", e ele na maior pindaíba, ou a sua estadia em Veneza, quando tenta flertar com uma ragazza local, enrolando-se num macarrônico italiano e agüentando depois os ciúmes da esposa, e levado sobretudo por mais uma inspirada e carismática interpretação de Selton Mello, além da boa ambientação do Rio de Janeiro dos anos 80.

4 comentários:

Ailton disse...

Assino embaixo em tudo que vc falou, David. Vi o filme ontem e gostei. Mas não adianta eu dizer isso já que já ganhei fama de gostar de tudo quanto é filme nacional.

Daniel The Walrus disse...

Concordo em número, gênero e grau

Daniel The Walrus disse...

Aliás, uma das ótimas qualidades desse filme é q ele me lembrou muito o humor britânico de se fazer cinema. Usando e abusando das gírias de rua, mas de uma forma q seja compreensível para outros povos tb entenderem os nossos "bollocks". O mesmo eu diria pro cinema mexicano. Aquela conversa com os dosi policiais corruptos no carro de irem ou não pra uma pizzaria é típicamente britânica. hahaha

Pena q em UK eles são agraciados pelas "gírias cool", aqui o povo brasileiro acha q é "indelicado, etc" e mandam o filme pra pUTA Q PARIU mesmo...

Lorde David disse...

É verdade, Daniel, especialmente no humor negro dessas cenas e que sabe fazer rir da tragédia de seu protagonista, sem querer ser tarantinesco ou um sub-Guy Ritchie a todo custo.

E eu achei que não fosse gostar do filme, Ailton. O trailer oficial era muito ruim, com o Selton Mello gritando "Rio de Jaaaneiro", "Galera" ou choramingando arrependido. Me surpreendi positivamente. Quanto a fama, deite na cama, faça o seu texto merecidamente elogioso e o resto é conversa.