Não um western apocalíptico ou modernizado, como Onde os Fracos Não Têm Vez. Também não um western crepuscular, que melancolicamente lamenta o fim do gênero e de seus mitos, como O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford. Apenas um western tradicional. E dos bons. Primeiro, porque é uma refilmagem (com algumas modificações na estória, originalmente escrita por Elmore Leonard) de um belo clássico de Delmer Daves, Galante e Sanguinário (1957), sem ser excessivamente reverente ao original, um cruzamento, carregando ainda mais na ambigüidade moral de seu renegado protagonista, de Matar ou Morrer (1952), de Fred Zinnemann, com O Preço de um Homem (1953), de Anthony Mann. Depois, porque o diretor dessa nova empreitada, o versátil James Mangold (Johnny e June, Identidade, Copland), capricha nas cenas de ação, nos tiroteios, como se calcados dos westerns que se faziam nos anos 50, e, principalmente, nos embates verbais entre seus dois antagonistas, os tais “indomáveis” do genérico título nacional, muito bem interpretados por Christian Bale e, sobretudo, pelo excelente Russell Crowe. Estão aqui também presentes as cavalgadas diante do Monument Valley e o assalto à diligência cheia de dinheiro que cruza as áridas pradarias do deserto. Assalto praticado pelo bando liderado pelo fora-da-lei Ben Wade (Crowe) e testemunhado por um honesto criador de gados, Dan Evans (Bale) e seus filhos. Mais tarde, quando o bando se separa, Wade, como sedutor compulsivo que é, é capturado num daqueles momentos de “fraqueza da carne”. Endividado, malvisto pela mulher (Gretchen Mol) e pelo filho mais velho (Logan Lerman) e correndo o risco de perder a propriedade, o pobre rancheiro, que teve uma perna amputada quando soldado da União durante a guerra civil, propõe participar com um pequeno grupo da arriscada missão de escoltar o prisioneiro até a cidade mais próxima, onde o trem no horário do título original o levará à prisão de Yuma. Tarefa dificultada pela incessante perseguição dos comparsas de Wade, agora liderados pelo psicótico Charlie Prince (Ben Foster), alguns índios apaches, outros tantos milicianos rudes e brutais no meio do caminho, além da astúcia verbal do sempre sedutor, mas violento Wade, lembrando o Robert Ryan, de O Preço de um Homem, tentando convencer Dan e os outros a soltá-lo ou dando sempre um jeito de manipular todo o mundo, antes de atirar com a sua exímia pontaria. Pleno de tiroteios, como no confronto final em Contention, onde enfrentam uma cidade inteira, e diálogos afiados, um filme que honra e celebra o gênero, levado pela memorável trilha sonora de Marco Beltrami, com motivos similares à banda sonora de um antigo bang-bang, e pela segura direção de Mangold, além do ótimo elenco.
Wer sich der Einsamkeit ergibt ("Aquele que se entregou à solidão") - Goethe
Mostrar mensagens com a etiqueta Russell Crowe. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Russell Crowe. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
Os Indomáveis
(3:10 to Yuma, EUA, 2007)

Não um western apocalíptico ou modernizado, como Onde os Fracos Não Têm Vez. Também não um western crepuscular, que melancolicamente lamenta o fim do gênero e de seus mitos, como O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford. Apenas um western tradicional. E dos bons. Primeiro, porque é uma refilmagem (com algumas modificações na estória, originalmente escrita por Elmore Leonard) de um belo clássico de Delmer Daves, Galante e Sanguinário (1957), sem ser excessivamente reverente ao original, um cruzamento, carregando ainda mais na ambigüidade moral de seu renegado protagonista, de Matar ou Morrer (1952), de Fred Zinnemann, com O Preço de um Homem (1953), de Anthony Mann. Depois, porque o diretor dessa nova empreitada, o versátil James Mangold (Johnny e June, Identidade, Copland), capricha nas cenas de ação, nos tiroteios, como se calcados dos westerns que se faziam nos anos 50, e, principalmente, nos embates verbais entre seus dois antagonistas, os tais “indomáveis” do genérico título nacional, muito bem interpretados por Christian Bale e, sobretudo, pelo excelente Russell Crowe. Estão aqui também presentes as cavalgadas diante do Monument Valley e o assalto à diligência cheia de dinheiro que cruza as áridas pradarias do deserto. Assalto praticado pelo bando liderado pelo fora-da-lei Ben Wade (Crowe) e testemunhado por um honesto criador de gados, Dan Evans (Bale) e seus filhos. Mais tarde, quando o bando se separa, Wade, como sedutor compulsivo que é, é capturado num daqueles momentos de “fraqueza da carne”. Endividado, malvisto pela mulher (Gretchen Mol) e pelo filho mais velho (Logan Lerman) e correndo o risco de perder a propriedade, o pobre rancheiro, que teve uma perna amputada quando soldado da União durante a guerra civil, propõe participar com um pequeno grupo da arriscada missão de escoltar o prisioneiro até a cidade mais próxima, onde o trem no horário do título original o levará à prisão de Yuma. Tarefa dificultada pela incessante perseguição dos comparsas de Wade, agora liderados pelo psicótico Charlie Prince (Ben Foster), alguns índios apaches, outros tantos milicianos rudes e brutais no meio do caminho, além da astúcia verbal do sempre sedutor, mas violento Wade, lembrando o Robert Ryan, de O Preço de um Homem, tentando convencer Dan e os outros a soltá-lo ou dando sempre um jeito de manipular todo o mundo, antes de atirar com a sua exímia pontaria. Pleno de tiroteios, como no confronto final em Contention, onde enfrentam uma cidade inteira, e diálogos afiados, um filme que honra e celebra o gênero, levado pela memorável trilha sonora de Marco Beltrami, com motivos similares à banda sonora de um antigo bang-bang, e pela segura direção de Mangold, além do ótimo elenco.
Não um western apocalíptico ou modernizado, como Onde os Fracos Não Têm Vez. Também não um western crepuscular, que melancolicamente lamenta o fim do gênero e de seus mitos, como O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford. Apenas um western tradicional. E dos bons. Primeiro, porque é uma refilmagem (com algumas modificações na estória, originalmente escrita por Elmore Leonard) de um belo clássico de Delmer Daves, Galante e Sanguinário (1957), sem ser excessivamente reverente ao original, um cruzamento, carregando ainda mais na ambigüidade moral de seu renegado protagonista, de Matar ou Morrer (1952), de Fred Zinnemann, com O Preço de um Homem (1953), de Anthony Mann. Depois, porque o diretor dessa nova empreitada, o versátil James Mangold (Johnny e June, Identidade, Copland), capricha nas cenas de ação, nos tiroteios, como se calcados dos westerns que se faziam nos anos 50, e, principalmente, nos embates verbais entre seus dois antagonistas, os tais “indomáveis” do genérico título nacional, muito bem interpretados por Christian Bale e, sobretudo, pelo excelente Russell Crowe. Estão aqui também presentes as cavalgadas diante do Monument Valley e o assalto à diligência cheia de dinheiro que cruza as áridas pradarias do deserto. Assalto praticado pelo bando liderado pelo fora-da-lei Ben Wade (Crowe) e testemunhado por um honesto criador de gados, Dan Evans (Bale) e seus filhos. Mais tarde, quando o bando se separa, Wade, como sedutor compulsivo que é, é capturado num daqueles momentos de “fraqueza da carne”. Endividado, malvisto pela mulher (Gretchen Mol) e pelo filho mais velho (Logan Lerman) e correndo o risco de perder a propriedade, o pobre rancheiro, que teve uma perna amputada quando soldado da União durante a guerra civil, propõe participar com um pequeno grupo da arriscada missão de escoltar o prisioneiro até a cidade mais próxima, onde o trem no horário do título original o levará à prisão de Yuma. Tarefa dificultada pela incessante perseguição dos comparsas de Wade, agora liderados pelo psicótico Charlie Prince (Ben Foster), alguns índios apaches, outros tantos milicianos rudes e brutais no meio do caminho, além da astúcia verbal do sempre sedutor, mas violento Wade, lembrando o Robert Ryan, de O Preço de um Homem, tentando convencer Dan e os outros a soltá-lo ou dando sempre um jeito de manipular todo o mundo, antes de atirar com a sua exímia pontaria. Pleno de tiroteios, como no confronto final em Contention, onde enfrentam uma cidade inteira, e diálogos afiados, um filme que honra e celebra o gênero, levado pela memorável trilha sonora de Marco Beltrami, com motivos similares à banda sonora de um antigo bang-bang, e pela segura direção de Mangold, além do ótimo elenco.
terça-feira, janeiro 29, 2008
O Gângster
(American Gangster, EUA, 2007)

Copiando e prevalecendo sobre a estrutura das famílias mafiosas italianas de Nova Iorque, a fulminante trajetória do negro Frank Lucas, que, de motorista de um poderoso gângster do Harlem dos anos 70, torna-se o principal fornecedor da mais pura (e barata) heroína contrabandeada em aviões militares americanos vindos da Indochina, em plena guerra do Vietnã, e vendida nas ruas do bairro com o nome de “Blue Magic”. Frio e violento, porém, com uma ética toda voltada ao trabalho para atingir à sua maneira o sonho americano, Lucas vai à igreja aos domingos, ouve sempre a mãe, é dedicado aos parentes e casa-se na igreja com a esposa que ama e lhe é fiel. Paralelamente, a jornada de seu oponente, o honesto policial branco Richie Roberts, que, malvisto pelos colegas do distrito por ser correto até demais, passa a trabalhar para os federais com uma equipe recém-formada e encara com uma dedicação quase solitária a dura tarefa de derrubar o traficante celebrizado como "Superfly", ao mesmo tempo em que enfrenta problemas familiares e leva uma desregrada vida pessoal, tendo até mafiosos em seu restrito círculo de amizades. No meio deles, o corrupto policial Trupo, muito bem interpretado por Josh Brolin (Planeta Terror, Onde os Fracos Não Têm Vez), em mais um ótimo filme do diretor Ridley Scott (do formidável Falcão Negro em Perigo e do subestimado, mas belo Cruzada), aqui sem meios tons ou frescuras visuais estilizadas, atento aos detalhes, tornando-os quase sempre épicos e grandiosos, e com impecável recriação de toda a atmosfera de uma violenta e decadente Nova Iorque setentista, em contraste com o requinte da mansão "sulista" de Lucas, em que o bandido, vivido pelo bom moço Denzel Washington (sobrando no papel), e o bom moço, interpretado pelo bad motherfucker Russell Crowe (pra variar, sensacional, na terceira parceria com Scott), têm mais em comum do que imaginam, como antípodas que dialeticamente se complementam, algo recorrente na obra de Scott (vide Os Duelistas), ainda que o desenlace convencional dessa história baseada em fatos reais seja um tantinho desapontador.

Copiando e prevalecendo sobre a estrutura das famílias mafiosas italianas de Nova Iorque, a fulminante trajetória do negro Frank Lucas, que, de motorista de um poderoso gângster do Harlem dos anos 70, torna-se o principal fornecedor da mais pura (e barata) heroína contrabandeada em aviões militares americanos vindos da Indochina, em plena guerra do Vietnã, e vendida nas ruas do bairro com o nome de “Blue Magic”. Frio e violento, porém, com uma ética toda voltada ao trabalho para atingir à sua maneira o sonho americano, Lucas vai à igreja aos domingos, ouve sempre a mãe, é dedicado aos parentes e casa-se na igreja com a esposa que ama e lhe é fiel. Paralelamente, a jornada de seu oponente, o honesto policial branco Richie Roberts, que, malvisto pelos colegas do distrito por ser correto até demais, passa a trabalhar para os federais com uma equipe recém-formada e encara com uma dedicação quase solitária a dura tarefa de derrubar o traficante celebrizado como "Superfly", ao mesmo tempo em que enfrenta problemas familiares e leva uma desregrada vida pessoal, tendo até mafiosos em seu restrito círculo de amizades. No meio deles, o corrupto policial Trupo, muito bem interpretado por Josh Brolin (Planeta Terror, Onde os Fracos Não Têm Vez), em mais um ótimo filme do diretor Ridley Scott (do formidável Falcão Negro em Perigo e do subestimado, mas belo Cruzada), aqui sem meios tons ou frescuras visuais estilizadas, atento aos detalhes, tornando-os quase sempre épicos e grandiosos, e com impecável recriação de toda a atmosfera de uma violenta e decadente Nova Iorque setentista, em contraste com o requinte da mansão "sulista" de Lucas, em que o bandido, vivido pelo bom moço Denzel Washington (sobrando no papel), e o bom moço, interpretado pelo bad motherfucker Russell Crowe (pra variar, sensacional, na terceira parceria com Scott), têm mais em comum do que imaginam, como antípodas que dialeticamente se complementam, algo recorrente na obra de Scott (vide Os Duelistas), ainda que o desenlace convencional dessa história baseada em fatos reais seja um tantinho desapontador.
quinta-feira, agosto 02, 2007
Galante

Eu adoro o original Galante e Sangüinário (3:10 to Yuma, 1957), de Delmer Daves, com Glenn Ford e Van Heflin. É um dos meus westerns favoritos. Vamos ver o que sai dessa refilmagem dirigida pelo improvável James Mangold, de Johnny e June, Identidade e Garota Interrompida. Diretor genérico, em mais um filme que pode surpreender. O pôster ao menos é estiloso. E ainda tem o Russell Crowe. No aguardo.
Trailer: www.apple.com/trailers/lions_gate/310toyuma/
Subscrever:
Mensagens (Atom)