terça-feira, maio 08, 2007

O Mundo em Duas Voltas

(Brasil, 2007)



Navegar é preciso. Para viver, é preciso navegar. Depois dos portugueses descobridores de rotas, é a razão de ser da família Schürmann, desde uma visita ao Caribe há muitos anos, quando decidiram navegar pela primeira vez. E é precisando navegar novamente que, em 1997, os Schürmanns embarcam em uma grande viagem ao redor do mundo, a segunda e com novos tripulantes, agora refazendo a lendária rota de circunavegação do globo de Fernão de Magalhães, contornando a Patagônia, navegando rumo ao Pacífico. Ou melhor, velejando, ainda que o veleiro seja equipado com um motor. Pois o que era incerto no passado, hoje se demonstra que navegar é de fato algo bem mais preciso, com GPS, motor a combustão, computador de bordo e bússola eletrônica, toda essa parafernália embarcada. Ainda assim, uma aventura dessas guarda seus encantos e seus perigos, sobretudo nas tempestades e nos piratas, que atacam de surpresa no Pacífico. De quebra, a possibilidade de conhecer diferentes culturas espalhadas pelas ilhas da Polinésia, neste documentário convencional, com a narração um tanto ensaiada e invasiva do próprio casal de velejadores, que são, porém, bastante simpáticos, e esplêndidas imagens captadas durante quase três anos pela equipe de filmagem comandada pelo filho do casal, David Schürmann, que também assina a direção. Mesmo um tanto chapa-branca, ao contrário de Extremo Sul (2005), por exemplo, que mostrava às claras os desentendimentos e medos entre os participantes de uma escalada que deu errado na Terra do Fogo, acompanha-se aqui com interesse a trajetória do veleiro Aysso (“formoso”, em tupi-guarani), ao mesmo tempo em que é narrada num sotaque italianado não muito feliz, e ilustrada por meio de desenhos e animações, a viagem original do português Magalhães no século XVI, bem mais perigosa e desesperadora, feita às escuras, por uma rota totalmente desconhecida, comandando uma desconfiada (e prestes a se amotinar) tripulação espanhola, além da precariedade das embarcações da época, que partiam rumo ao incerto. Ou melhor, rumo às Índias.

Bom, mas acho que ficou faltando ainda, para apimentar e criar mais dramaticidade, o registro de algumas briguinhas familiares, pois numa viagem longa como essa, realizada em condições de extremo confinamento e meses a sós no mar, é natural que conflitos assim surjam de vez em quando, ainda mais pelo fato de os tripulantes estarem todos, e o tempo todo, em família, fonte de qualquer desavença, sempre. Pena que o filme explore este lado tão pouco, mencionando-o brevemente em apenas dois momentos, a fim de não perder muito o foco de seus dois eixos narrativos principais: o turístico-aventureiro e o histórico com tintas didáticas. Um trabalho interessante, apesar do final ufanista, com a chegada em Porto Seguro, num filme que se pretende familiar, acima de tudo, e é bem-sucedido neste aspecto.

3 comentários:

Jane M. O'Connor disse...

Hi, my dear Brazilian lord. Despite my poor Portuguese, I kinda enjoy your post about the ideal husband. By the way, nice blog, in spite of being written in Portuguese. Very snobbish of yours indeed. :) Miss you. Bye.

Lorde David disse...

Hello, milady. What a surprise seeing you here! I am glad you enjoy it. Not everything is posted in Portuguese as you can see bellow. The post about Dickinson's poem for instance. And you can use it for purpose of practicing the Portuguese as well. Why don't visit me next week in Paris? Or come to SP next semester. You can practice much more Portuguese that way. :) Forget Glasgow, work and your fiancé for a while. Miss you too. Bye and God save the Queen.

jane m. o'connor disse...

The fiancé I can deal with, but the work is another story.
Tons of reports to write and a lecture to give this month, unfortunately. Cheers.