quinta-feira, dezembro 13, 2007

Novo Mundo

(Nuovomondo, Itália/Alemanha/França, 2006)



Flertando vez ou outra com o realismo fantástico, o diretor Emmanuele Crialese (do “rústico” Respiro, 2002) recria, em três partes bem definidas – a vida nada idílica na Sicília, a viagem de navio e o processo de entrada nos EUA – e com certo rigor e tomadas sintéticas, a saga da imigração italiana para a América pelos olhos do viúvo Salvatore Mancuso (Vincenzo Amato), seus dois filhos (Francesco Casisa e Filippo Pucillo), um deles surdo-mudo, e sua mãe “curandeira” (Aurora Quattrocchi), que, no início do século XX, embarcam da paupérrima e rural Sicília para a riquíssima Nova Iorque na terceira classe de um navio abarrotado de gente com as mesmas esperanças: a de um dia fazer a vida na América. No caminho, em meio ao mar revolto, o aperto e a insalubridade das acomodações, encontram uma misteriosa inglesa (Charlotte Gainsbourg) que precisa arrumar um marido a fim de poder ser admitida no Novo Mundo. Mancuso se prontifica a se casar por conveniência com ela, mesmo correndo o risco de ser passado para trás após o desembarque.

Filme econômico, quase documental em seu registro naturalista, como na seqüência em que se recria com detalhes todo o difícil processo de admissão e entrada nos EUA, com exames e todo tipo de testes, às vezes humilhantes, aplicados na triagem aos recém-chegados, quebrado vez ou outra por momentos um tanto deslocados de visões oníricas, mas no todo com belas imagens, como a visão que o simplório, mas muito expressivo Mancuso tem de Nova Iorque através das janelas embaçadas do porto da Ilha de Ellis. Nova Iorque, aliás, nunca é mostrada como conhecemos, a não ser do interior do porto de imigração, o que garante algum frescor sem deslumbramento a mais este olhar sobre o corriqueiro tema da imigração dos italianos (e de outros povos) ao Novo Mundo, além da presença sempre enigmática e fascinante de Gainsbourg.

6 comentários:

Tula disse...

Rsrsrrs....valeu pela dica, David!!!

ainda bem que não estou tão só na minha idéia...rs!
Já disse que gosto muito do seu blog??!! pois eu adoro, mas como do serviço não dá pra comentar, só ler, então fica avisado que sempre tô passando por aqui!!!

Bjsssss....

Ailton disse...

Pelo visto, esse eu vou ver em divx, aproveitando que o Renato fez cópia dele pra mim. Mas ele está passando nos cinemas daqui também.

Lorde David disse...

Obrigado, Tula. Também gosto do seu blog e visito-o sempre, mas, nos comentários pretendo parar com dicas extremas assim, hehehe. Um beijo.

O filme está passando em digital por aí, Ailton? Aqui só digital. Essa cópia escurece muito o filme, especialmente nas cenas no interior do navio. Então acho que em DivX, na tela pequena, fica até melhor.

Ailton disse...

Acho que é cópia digital sim. Então, não vou perder tanto vendo em divx, no conforto do meu lar. heheh

Osvaldo disse...

Belíssimo filme. Vi em projeção digital no final de semana. Em altas cenas eu me esquecia totalmente que estava vendo atores interpretando personagens.

Lorde David disse...

Realmente, Osvaldo, um belo e envolvente olhar sobre a imigração lançado pelo diretor, algo abordado neste ano, e de maneira mais sintética ainda, por Manoel de Oliveira em Cristóvão Colombo. Um abraço.