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domingo, abril 13, 2008

Meu Nome é Taylor, Drillbit Taylor

(Drillbit Taylor, EUA, 2008)



Três nerds típicos – o gordinho tarado e falastrão, o magricela desengonçado e tímido (prefigurando o sensacional McLovin, de Superbad) e o outro, baixinho e com aparelho nos dentes, que não desgruda dos dois –, calouros numa High School, sofrem nas mãos de um psicótico veterano fortão. Cansados das surras e humilhações rotineiras, decidem contratar um guarda-costas (Owen Wilson) para se protegerem. Porém, o homem responsável pela segurança deles, pago com o dinheirinho da suada mesada de cada um, é na verdade um sem-teto malandro, que vivia de esmolas pelas ruas de Los Angeles, apesar de veterano, ou melhor, desertor do exército americano.

Ótima premissa, baseada em idéia do genial John Hughes, rei dos filmes adolescentes dos anos 80, e no filme Cuidado Com Meu Guarda-Costas (1980), e um começo que garante boas risadas, a cargo do martírio do desengoçado, mas simpático trio de nerds. No entanto, com a entrada em cena do meio sorumbático Wilson (sozinho ele não segura um filme, ainda mais depois de uma tentativa real de suicídio), infiltrando-se como professor no ambiente escolar, a coisa toda desanda, além do ritmo irregular característico das produções de Judd Appatow (Ligeiramente Grávidos, Superbad, O Virgem de Quarenta Anos, Ricky Bobby, O Âncora), ao sabor da verborragia típica do co-roteirista Seth Rogen (ator em Superbad, O Virgem..., Ligeiramente...), numa mistura que muitas vezes não dá liga, neste filme do burocrático Steve Brill, com resultados um tanto aquém de seu hilário potencial. O produtor Appatow deveria era ter trazido o Matt Dillon de volta. E agora como o guarda-costas da garotada.

quinta-feira, novembro 29, 2007

Viagem a Darjeeling

(The Darjeeling Limited, EUA, 2007)



Carregados de pesadíssimas malas e baús, três irmãos que não se viam desde a morte do pai se reúnem para uma viagem de trem pela Índia no expresso do título original, organizada pelo mais velho (Owen Wilson) que, a princípio não revela o verdadeiro propósito da aventura e que se põe no papel de decidir tudo por todos, da comida aos itinerários turísticos. Há muito tempo sem se falarem, cada um enfrenta a sua crise particular. Um (Adrien Brody) está para ser pai. Outro (Jason Schwartzman, sempre descalço), afastou-se da namorada (Natalie Portman), embora mantenha encontros habituais com ela, como mostra o prólogo do filme num quarto de hotel em Paris. E o suposto “líder” da expedição sofrera antes um acidente, o que o deixa cheio de dores e com o rosto inchado e enfaixado, apesar de seu otimismo constante. A viagem é o momento de reencontro, reaproximação dos três, que nunca foram amigos de fato, e, sobretudo, de redenção espiritual que só um lugar caótico e exótico como a Índia poderia proporcionar. Com uma beleza visual fora do comum, adornando cada cenário com um colorido que é particular de seus filmes, vários momentos de ternura, de comédia ou de conflito entre indivíduos que parecem muito bizarros, mas são na verdade profunda e dolorosamente humanos, além da trilha sonora sempre extraordinária, mais uma viagem propositalmente errática de Wes Anderson, difícil de embarcar a princípio em toda a irregularidae do trajeto, mas que têm seus momentos de encanto. Ainda assim, prefiro Rushmore - Três é Demais (1998), seu segundo filme e inigualável obra-prima, porque no colágio particular daquele filme havia um mundo inteiro de possibilidades a ser explorado, e o seu protagonista, Max Fisher (também Jason Schwartzman), transbordava energia e esperança em cada um dos projetos malucos a que se dedicava. Aqui, pelo contrário, nesse trem que percorre o mundo, à deriva, como no barco de A Vida Marinha com Steve Zissou (2004), há apenas desencanto e frustração.