Mostrar mensagens com a etiqueta Heath Ledger. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Heath Ledger. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, julho 31, 2008

Batman – O Cavaleiro das Trevas

(The Dark Knight, EUA, 2008)



Batman (re)começa. Desta vez, sem traumas de infância, manjadas filosofias de superação do tipo "cair, para depois se levantar" ou qualquer princípio excessivamente explicativo presente do início ao fim no primeiro (e superestimado) filme da retomada do noturno justiceiro mascarado. Tudo cedendo lugar à ação e às intrigas políticas num contexto mais realista, muitas vezes em plena luz do dia, neste eletrizante embate com ares de tragédia grega (daí a onipresença das máscaras e de mascarados) entre o Cavaleiro das Trevas (Christian Bale) e seu arqui-sorridente inimigo Coringa (uma das derradeiras performances do excepcional Heath Ledger) – que literalmente mergulha Gotham City no caos –, sustentado por um elenco de peso (com destaque para Aaron Eckhart como Harvey Dent/Duas Caras e Gary Oldman retornando como o inspetor tornado comissário Gordon), aqui bem mais aproveitado em ótimas subtramas que conferem a necessária dramaticidade ao conjunto da narrativa, mesmo que o diretor e co-roteirista Christopher Nolan atropele um tantinho as coisas com a sua costumeira e atabalhoada edição em algumas cenas e a mania de querer impor um ar sério e exageradamente grave a tudo – a começar pelo risível tom de voz do Batman. Mesmo assim, simplesmente o blockbuster do ano!

terça-feira, outubro 30, 2007

I'm Not There

(EUA/Alemanha, 2007)



Poética. É palavra incontornável e difícil de tirar da cabeça depois de se assistir a essa deslumbrante cinebiografia anticonvencional, fragmentada, de Bob Dylan, o trovador judeu da América profunda. Homem de muitas fases, nomes e, principalmente, faces. Não à toa, ele é interpretado aqui por vários atores, em diferentes texturas e colorações de película, desde a infância como um menino negro prodígio no blues, viajante clandestino nos vagões de carga pelo interior dos EUA (Marcus Carl Franklin), poeta beatnik e homem de família (Heath Ledger), “homem” de Londres (Cate Blanchett), no divertido e rápido encontro com os Beatles, pregador evangélico (Christian Bale) até a participação como um fora-da-lei (Richard Gere) no western crepuscular de Sam Peckinpah, Pat Garret e Billy the Kid (1971), como cowboy da contracultura, sem raízes, sem nome, à margem de tudo e de todos e sempre viajando sem rumo (“No Direction Home”). Por isso, a imagem da estrada, do trem rasgando as pradarias, algo tão americano, é sempre recorrente neste trabalho de Todd Haynes (Velvet Goldmine, Longe do Paraíso). Mas, é a banda sonora, obviamente rica de composições e poemas de Dylan, que conduz o filme por seus diferentes estágios e caminhos, de maneira nunca linear, sobrepondo o homem ao mito junto ao turbulento contexto político dos anos 60 e 70. Para ser visto, ou melhor, sentido várias e várias vezes.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Candy

(Candy, Austrália, 2006)



Jovens drogados à deriva em Melbourne, dilapidando as suas vidas pelo vício da heroína, neste drama amargo, à maneira do também aussie (e superior) Sob o Efeito da Água (2005). Mas essencialmente uma história de amor entre a bela Candy (Abbie Cornish), uma artista plástica, e Dan (Heath Ledger), um poeta sem um ponto de apoio na vida, e a heroína que os mantém unidos, a qualquer custo, apesar dos reveses da vida e dos crimes que cometem para manter o vício, sendo ela obrigada inclusive a se prostituir, sem o menor remorso da parte dele. Casam-se, mudam-se de lugar várias vezes. Ela vai enlouquecendo. Tentam abandonar o vício que os consome, mas é um caminho sem volta, sobretudo para Dan, que ao final preferirá, pelo menos, manter essa ilusão romântica de estarem juntos para sempre em sua memória. Assim, em seqüências bem marcadas pelos intertítulos, seguem o conhecido trajeto do Paraíso ao Inferno no mundo dos drogados.

Um filme de atores, sobretudo, destacando-se o casal protagonista mais Geoffrey Rush como um drogado sênior e com PhD em química, capaz de fabricar seu próprio veneno, e uma certa placidez no estilo do diretor e roteirista Neil Armfield, às vezes melodramático, às vezes poético, mas não mais do que isso.