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quinta-feira, julho 31, 2008

Batman – O Cavaleiro das Trevas

(The Dark Knight, EUA, 2008)



Batman (re)começa. Desta vez, sem traumas de infância, manjadas filosofias de superação do tipo "cair, para depois se levantar" ou qualquer princípio excessivamente explicativo presente do início ao fim no primeiro (e superestimado) filme da retomada do noturno justiceiro mascarado. Tudo cedendo lugar à ação e às intrigas políticas num contexto mais realista, muitas vezes em plena luz do dia, neste eletrizante embate com ares de tragédia grega (daí a onipresença das máscaras e de mascarados) entre o Cavaleiro das Trevas (Christian Bale) e seu arqui-sorridente inimigo Coringa (uma das derradeiras performances do excepcional Heath Ledger) – que literalmente mergulha Gotham City no caos –, sustentado por um elenco de peso (com destaque para Aaron Eckhart como Harvey Dent/Duas Caras e Gary Oldman retornando como o inspetor tornado comissário Gordon), aqui bem mais aproveitado em ótimas subtramas que conferem a necessária dramaticidade ao conjunto da narrativa, mesmo que o diretor e co-roteirista Christopher Nolan atropele um tantinho as coisas com a sua costumeira e atabalhoada edição em algumas cenas e a mania de querer impor um ar sério e exageradamente grave a tudo – a começar pelo risível tom de voz do Batman. Mesmo assim, simplesmente o blockbuster do ano!

terça-feira, agosto 14, 2007

Sem Reservas

(No Reservations, EUA, 2007)



Um filme em que o par perfeito para a perfeita ma non troppo Catherine Zeta-Jones é o inacreditavelmente perfeito Aaron Eckhart, ao contrário do tipo italiano brutino de Sergio Castellitto do filme original: simpático, sorridente, cozinha bem, tem certa modéstia (tipo “estou aqui porque quero cozinhar contigo” e não “porque quero o teu emprego, depois de ter aprendido todos os teus segredinhos culinários, passando por cima de ti e assumindo de vez a chefia da cozinha da Ofélia no teu lugar, capisce?”, como ocorre na vida real, real demais às vezes), arranha no italiano, é loiro, alto e gosta de ópera, ainda que sempre das mesmas e óbvias árias de La Traviata (“Brindisi: Libbiamo, ne'lieti”) e Turandot (“Nessun Dorna”), por exemplo. Ela, obcecada por perfeição, na cozinha, não quando o assunto é homens, está claro, e que, em vez de fazer terapia, prefere cozinhar para o terapeuta (Bob Balaban) durante as sessões, mal tem vida própria e, centralizadora, não suporta a companhia de outra estrela da culinária na cozinha do chique restaurante onde trabalha, na Bleecker Street (a autêntica de Nova Iorque, não aquele barzinho da moda da galerinha da Vila Madá). Não suportará no começo, claro. Um acidente, que mata a irmã e deixa a sua sobrinha (Abigail Breslin) órfã e em suas mãos, a obriga a reavaliar a sua vida agitada e tal e abrir aos poucos seu coração duro para o homem perfeito e que ocupa espaço às vezes demais em sua cozinha, com sua fingida estirpe italianada da Toscana, obviamente, mas que faz o melhor espaguete com pomodoro e manjericão do mundo, o que conquista a simpatia da sobrinha, claro, pouco afeita a trutas e outras sofisticações preparadas e impostas pela tia exigente no jantar.

Mais fluente e redondinho que a matriz original alemã, Simplesmente Martha (2001), também com menos conflitos, mais agradável em seus passeios pela cozinha de pratos apetitosos de Zeta-Jones, pela câmera sempre bem balanceada e cheia de filtros do convencional Scott Hicks (de Shine – Brilhante, 1996), terno e “fofinho”, sobretudo nos momentos em que Abigail está presente, é um “prato” cheio e óbvio para as mulheres que acreditam no príncipe encantado e acalentam essa ilusão. Mas e se esse o príncipe não lavasse toda aquela louça que suja depois de preparar tantas maravilhas apetitosas? Ah, isso é uma outra questão. E como acho isso tudo uma besteira, assim como o absurdo preço do quilo das trufas brancas em Nova Iorque, fico por aqui. Ou melhor, volto para a Garfagnana, na Toscana, onde as trufas são abundantes e baratas. E as mulheres, menos iludidas, acho, embora não tão belas como Zeta-Jones. Ciao.