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sexta-feira, dezembro 21, 2007

Bee Movie – A História de Uma Abelha

(Bee Movie, EUA, 2007)



Se por trás de sua arrojada animação computadorizada Formiguinhaz (1998) era sobretudo um autêntico filme do Woody Allen levado ao universo das formiguinhas trabalhadoras, Bee Movie, de estrutura semelhante, é o longa-metragem em 3-D em que, desta vez, o grande comediante Jerry Seinfeld (também produtor e co-roteirista) leva para dentro de uma colméia todas as suas neuroses tipicamente nova-iorquinas. Nela, Seinfeld, como Barry B. Benson, é um zangão recém-graduado que descobre que passará o resto da vida no emprego que escolher dentro da colônia, voltada, claro, para a produção de mel em larga quantidade, trabalho altamente especializado e com uma enorme divisão de trabalho. Saindo para um passeio fora da colméia e em busca de novos ares, encanta-se com a florista Vanessa (Renée Zellwegger) e fica amigo dela, que não estranha nem um pouco o fato de seu novo colega ser um tanto “abelhudo”. E ainda por cima falar demais e querer comprar briga com as grandes corporações que roubam o mel das abelhas, levando o caso para os tribunais. Mas como é Seinfeld o cara por trás dessa boa causa, como já sabemos de vários episódios da clássica série, nem sempre o seu empenho em agir com boas intenções resultará em algo de bom, tanto para as abelhas quanto para os humanos. Trama para adultos e crianças, que se desenrola com muita leveza, a animação é ágil, os tipos secundários cativantes, o visual agrada e, sobretudo, as boas tiradas típicas do Seinfeld do sitcom garantem o resto desta “doce” diversão descompromissada da DreamWorks, que inclui ainda engraçadas “ferroadas” para cima de Sting, Ray Liotta e Larry King, além de justas citações paródicas a filmes como A Primeira Noite de um Homem e Apertem os Cintos... O Piloto Sumiu! Acima de tudo, bom para matar as saudades de Jerry.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Ele não desiste



Trailer de In the Name of the King: A Dungeon Siege Tale, a nova "obra-prima" do incansável Uwe Boll. Faz Eragon parecer um clássico. E repare na canastrice de dimensões shakespeareanas de Ray Liotta. Outrageous!

quinta-feira, abril 26, 2007

A Última Cartada

(Smokin' Aces, EUA, 2007)



Guy Ritchie e Tarantino. Canos fumegantes, cartas de baralho, traições e péssima pontaria, o que justifica alguns indivíduos difíceis de morrer, no confronto entre matadores nazistas, caçadores de recompensas, duas Foxxy Ladies letais, agentes do FBI, mafiosos e hitmen habilidosos no uso de armas contundentes ou mestres no disfarce na enlouquecida disputa pela cabeça (e pelo coração, também) de Buddy “Aces” Israel (Jeremy Piven), famoso ilusionista que, em busca de mais ação, usou sua influência junto à máfia em Las Vegas, galgou postos e poder no submundo, até decidir entregar o chefão da Cosa Nostra, Primo Sparazza (Joseph Ruskin), para os federais. Primo então lança uma recompensa de 1 milhão de dólares para quem der cabo em Israel e trouxer o coração dele, sobretudo. O FBI, liderado por Andy Garcia, o quer vivo, pois seria uma testemunha-chave no desmonte definitivo da Cosa Nostra. Israel é, então, mantido vigiado num hotel de luxo em Lake Tahoe, Nevada, com direito a drogas e as melhores e mais briguentas prostitutas. E é para lá que rumará a horda de assassinos, tal com em Deu a Louca no Mundo (1963), numa disputa para ver quem chega primeiro. Dois agentes do Bureau (Ryan Reynolds e Ray Liotta), pobrezinhos, correm para impedir a matança. Mas antes têm que tomar um elevador. E que elevador! Inevitavelmente, entrarão em confronto com os matadores, tipos dos mais insanos, como uma gangue demente neonazi conhecida como The Tremors, e que também brigarão entre si, num desenlace pra lá de sangrento, envolvendo balaços, hipotermia, dedos decepados, moleque judoca white-trash hiperativo, serras a motor descontroladas, essas coisas, neste adrenalínico filme de Joe Carnahan (do sombrio Narc, 2002), de cortes acelerados, enquadramentos inusitados, alguns diálogos certeiros ou estapafúrdios, estética de um colorido tutti frutti e que arremessa o tempo todo inúmeros elementos a mil por hora, mas que aos poucos vão fazendo sentido, até a reviravolta final, muito bem orquestrada e que, em todo o seu divertidíssimo percurso, traz ainda pequenas participações de caras conhecidas, como as de Ben Affleck, Martin Henderson, Alicia Keys (foto) e Peter Berg. Mesmo que seja apenas para dar cabo em todos eles, em meio a uma piadinha ou outra. Um alento este filme, em que os excessos se justificam plenamente, no final das contas.

quarta-feira, abril 11, 2007

Os Bons Companheiros (e um desabafo)

(Goodfellas, EUA, 1990)



Cada vez mais tenho achado que deixar este espaço atualizado é de uma inutilidade tremenda. E absoluta. Serve-me apenas para manter a cabeça fora d’água, isso quando a água já está no pescoço há tempos. E pelos olhos que apontam para o alto, encarando o teto escuro, o vazio, o sei-lá-o-quê, vislumbro apenas my reigning solitude day by day nessa escuridão toda, o que é mais e mais frustrante. Tudo, tantos e todos tão ocupados e ocultos e consumindo-se no rame-rame cotidiano, na mundanidade do mínimo que é nada, expressa pelo lugar-comum das falas formulaicas, pelos detalhes comezinhos, pela infinitesimal proporção de coisa nenhuma a soldo de alguns centavos por nada. Nada, nenhuma e mínimo 0,00000001 em milissegundos que se somam a outros que eram tão importantes milissegundos atrás, que ficam para trás também. Somados, viram segundos, horas, dias, meses, anos. E que também ficam para trás, dissipando-se. Day by day. But let them go. Agora, uma pausa nos devaneios. Freqüência da Sétima Arte novamente sintonizada para um breve parecer sobre este clássico de Martin Scorsese, que pinta um retrato fluente, vigoroso, sem glamour e de brilharecos bregas de gângsteres absolutamente escrotos, que nada têm a ver com os gângsteres da era de ouro do cinema, trágicos, heróicos ou operáticos. Em Fúria Sanguinária (1949), de Raoul Walsh, por exemplo, James Cagney morreria no alto de um reservatório em chamas, epicamente bradando a sua mãe, em fala clássica, que agora “estava no topo do mundo”. Violentos, também, mas épicos. Aqui somente violentos, pois mesquinhos, toscos, formando relações perigosas que fagocitam todos ao longo das décadas em que é narrada a trajetória de Henry Hill (Ray Liotta), menino que um dia, no caminho para a escola, cruzou a rua do Brooklyn e envolveu-se com os vizinhos mafiosos do outro lado. Nunca mais voltou à escola. Nunca mais voltaria à sua família. Encontrou outra, formada, sobretudo, pelo chefão local e “pai” Paulie Cicero (Paul Sorvino), pelo seu mentor Jimmy (Robert DeNiro) e pelo seu colega psicótico Tommy (Joe Pesci). Família unida até na cadeia. E forma outra ainda com a elegante judia Karen (Lorraine Bracco). Embora se gabe de ganhar muito dinheiro, por meio da narração em primeira pessoa que pontua a história, baseada em fatos reais, não vai além do mínimo, do escroque ordinário, pois suas raízes irlandesas e italianas o impedirão de entrar para a Famiglia mafiosa. E de ser chefão. Ficará restrito aos pequenos golpes, aos roubos e às drogas, vendendo-as e consumindo-as com a mesma intensidade. Mas, um dia, amigos viram inimigos, ao som de rock’n’roll, e o ritmo do filme se acelera, acelerando também a queda de Hill. Vertiginosamente.

Aqui, a violência não redime, não transcende, não eleva, como em Taxi Driver (1976) ou em A Última Tentação de Cristo (1988). Apenas serve para derramar mais sangue. E tudo que é conquistado por meio dela é um dia dissipado. Sem aviso. Sobra apenas a traição, a palavra não cumprida, o olhar vazio de Hill no final, o nada, contemplando a sua entrega voluntária a uma patética existência suburbana, oculto de seus “goodfellas” por razões de segurança, pois virara um indiferente alcagüete do FBI. Ou seja, mesquinho até no fim da vida. Mas agora sem os inúmeros bibelôs, ternos, mulheres e carros cafonas que o adornavam quando se achava no topo. Topo de um castelo de cartas, isso sim.

Sem dúvida, um marco dos filmes de gângster, a serviço da mundanidade, da epiderme, e não da espiritualidade. Em momento-chave, por exemplo, a cruz no peito de Henry Hill é coberta pela camisa por sua noiva, para que ele possa conhecer a sogra judia. Nunca mais será mostrada. A cruz, está claro. Não importará também, pois Henry não foi tocado pelo divino, pela graça, talvez por se aproximar demais do Mal, que prospera com facilidade no mundo dos homens, e por se deixar levar por ele, indiferentemente.

Agora, o Nada. Novamente. Thank you.