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quinta-feira, abril 17, 2008

The Rolling Stones – Shine a Light

(Shine a Light, EUA/Reino Unido, 2008)



Não curto o quarteto inglês, nem o “róqui” em geral, muito menos os Clinton (meu voto é para o McCain!). Portanto, não sou um entusiasta fervoroso deste filme, apesar de reconhecer os méritos da filmagem impecável do ardoroso fã (e estressadíssimo) Martin Scorsese, no registro de duas apresentações dos Stones no pequeno Beacon Theatre, em Nova Iorque, em 2006, alternando saborosos depoimentos antigos de seus integrantes com as manjadíssimas Jumpin´Jack Flash, Start Me Up e Satisfaction no palco, embora as guitarras elétricas encubram com certa constância os vocais do faceiro e serelepe frontman Mick Jagger, o homem, o mito, a lenda. Aqui, mais o homem, suas encoxadas (em Christina Aguilera) e, principalmente, suas rugas, bem como as do pai do Jack Sparrow, o guitarrista Keith Richards, e as do também guitarrista Ronnie Wood. Melhor quando arriscam tocar blues, ao lado de Buddy Guy ou no vocal de Richards acompanhado pela harmônica de Jagger, ou country, ou acústico, ou ainda quando Scorsese destaca o olhar blasé do também enrugado baterista Charlie Watts.

Visto numa sessão geriátrica, ou seja, durante à tarde num dia de semana, o que é até condizente com o espírito deste DVD, ou melhor, filme chapa-branca sobre a longevidade da banda e das rugas de seus incansáveis protagonistas sessentões.

quarta-feira, abril 11, 2007

Os Bons Companheiros (e um desabafo)

(Goodfellas, EUA, 1990)



Cada vez mais tenho achado que deixar este espaço atualizado é de uma inutilidade tremenda. E absoluta. Serve-me apenas para manter a cabeça fora d’água, isso quando a água já está no pescoço há tempos. E pelos olhos que apontam para o alto, encarando o teto escuro, o vazio, o sei-lá-o-quê, vislumbro apenas my reigning solitude day by day nessa escuridão toda, o que é mais e mais frustrante. Tudo, tantos e todos tão ocupados e ocultos e consumindo-se no rame-rame cotidiano, na mundanidade do mínimo que é nada, expressa pelo lugar-comum das falas formulaicas, pelos detalhes comezinhos, pela infinitesimal proporção de coisa nenhuma a soldo de alguns centavos por nada. Nada, nenhuma e mínimo 0,00000001 em milissegundos que se somam a outros que eram tão importantes milissegundos atrás, que ficam para trás também. Somados, viram segundos, horas, dias, meses, anos. E que também ficam para trás, dissipando-se. Day by day. But let them go. Agora, uma pausa nos devaneios. Freqüência da Sétima Arte novamente sintonizada para um breve parecer sobre este clássico de Martin Scorsese, que pinta um retrato fluente, vigoroso, sem glamour e de brilharecos bregas de gângsteres absolutamente escrotos, que nada têm a ver com os gângsteres da era de ouro do cinema, trágicos, heróicos ou operáticos. Em Fúria Sanguinária (1949), de Raoul Walsh, por exemplo, James Cagney morreria no alto de um reservatório em chamas, epicamente bradando a sua mãe, em fala clássica, que agora “estava no topo do mundo”. Violentos, também, mas épicos. Aqui somente violentos, pois mesquinhos, toscos, formando relações perigosas que fagocitam todos ao longo das décadas em que é narrada a trajetória de Henry Hill (Ray Liotta), menino que um dia, no caminho para a escola, cruzou a rua do Brooklyn e envolveu-se com os vizinhos mafiosos do outro lado. Nunca mais voltou à escola. Nunca mais voltaria à sua família. Encontrou outra, formada, sobretudo, pelo chefão local e “pai” Paulie Cicero (Paul Sorvino), pelo seu mentor Jimmy (Robert DeNiro) e pelo seu colega psicótico Tommy (Joe Pesci). Família unida até na cadeia. E forma outra ainda com a elegante judia Karen (Lorraine Bracco). Embora se gabe de ganhar muito dinheiro, por meio da narração em primeira pessoa que pontua a história, baseada em fatos reais, não vai além do mínimo, do escroque ordinário, pois suas raízes irlandesas e italianas o impedirão de entrar para a Famiglia mafiosa. E de ser chefão. Ficará restrito aos pequenos golpes, aos roubos e às drogas, vendendo-as e consumindo-as com a mesma intensidade. Mas, um dia, amigos viram inimigos, ao som de rock’n’roll, e o ritmo do filme se acelera, acelerando também a queda de Hill. Vertiginosamente.

Aqui, a violência não redime, não transcende, não eleva, como em Taxi Driver (1976) ou em A Última Tentação de Cristo (1988). Apenas serve para derramar mais sangue. E tudo que é conquistado por meio dela é um dia dissipado. Sem aviso. Sobra apenas a traição, a palavra não cumprida, o olhar vazio de Hill no final, o nada, contemplando a sua entrega voluntária a uma patética existência suburbana, oculto de seus “goodfellas” por razões de segurança, pois virara um indiferente alcagüete do FBI. Ou seja, mesquinho até no fim da vida. Mas agora sem os inúmeros bibelôs, ternos, mulheres e carros cafonas que o adornavam quando se achava no topo. Topo de um castelo de cartas, isso sim.

Sem dúvida, um marco dos filmes de gângster, a serviço da mundanidade, da epiderme, e não da espiritualidade. Em momento-chave, por exemplo, a cruz no peito de Henry Hill é coberta pela camisa por sua noiva, para que ele possa conhecer a sogra judia. Nunca mais será mostrada. A cruz, está claro. Não importará também, pois Henry não foi tocado pelo divino, pela graça, talvez por se aproximar demais do Mal, que prospera com facilidade no mundo dos homens, e por se deixar levar por ele, indiferentemente.

Agora, o Nada. Novamente. Thank you.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

And the Oscar goes to... Marty! At last!



Melhor filme, melhor diretor (Os Infiltrados). E a verdadeira rainha da Inglaterra ganhou (Helen Mirren), of course! E o falso rei da Escócia (Forest Whitaker) também triunfou, embora estivesse torcendo pelo Lawrence da Arábia (Peter O'Toole), velhinho, velhinho. Torci também para uma zebra, tipo A Pequena Miss Sunshine como melhor filme, mas The Departed é massa. No fim, Al Gore discursou, Ennio Morricone triunfou with a hand full of Oscar, apesar de Celine Dion. E Ellen DeGeneres, sem forçar na graça, é sim bem engraçada. E, por último, Jodie Foster apresentou a very long (and sad) list of "departed" in 2006.

Todos os premiados: www.estadao.com.br/ext/especial/extraonline/especiais/oscar2007/