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sexta-feira, novembro 23, 2007

A Noiva Perfeita

(Prete-Moi Ta Main, França, 2007)



Um solteirão convicto, ruim de tato e ótimo de faro (o sempre divertido Alain Chabat, também produtor e co-roteirista). Para os perfumes, está claro. E as suas mulheres. Suas várias mulheres. Na verdade, sua mãe e suas cinco irmãs que, com ele, formam o “G7”, grupo de reunião familiar, herança paterna do muito querido pai ultrademocrático, agora presidido indefinidamente pela matriarca e que decide todo tipo de assunto na mesa da sala de jantar e onde ele é obviamente voto vencido em qualquer discussão, das nas mais triviais às mais sérias, tanto que vive sendo pressionado por todas a se casar logo, já que passou dos quarenta anos e se encontra ainda na barra delas, que querem se livrar dele de uma vez por todas. Primogênito sofre mesmo. Então, de saco cheio, decide bolar uma farsa. “Aluga” a irmã (Charlotte Gainsbourg) de seu colega de trabalho para que ela vire a sua noiva de mentirinha até o dia do casamento, para então ser dramaticamente abandonado por ela no altar, acreditando assim que, por causa do trauma encenado, a mulherada nunca mais tocará no assunto. Mas as coisas, claro, serão mais complicadas. Não por culpa dele, já que as irmãs e a mãe passam a gostar muito, mas muito mesmo da cunhada "avulsa", perdoando-a por qualquer deslize e deixando-o cada vez mais num beco sem saída. Ela também quer adotar uma criança (e brasileira!!) e, sendo noiva ou casada, o processo seria bem menos complicado. Nada de mais, certamente previsível, mas um filme agradável de Eric Lartigan, sobretudo por causa do charme da dupla principal e das situações divertidas que cria desde o início à anos 70. Mais, por mais despretensioso que seja este filme, refletindo seriamente, parece haver uma onda no recente cinema francês, sempre em sintonia com a realidade atual, de amizades compradas ou de noivas alugadas, tal como visto em Meu Melhor Amigo (2006), do veterano Patrice Leconte, e em Por Amor ou Por Dinheiro (2005), do também veterano Bertrand Blier. Parece mesmo que o amor e a amizade descompromissada são itens mais raros hoje em dia na sociedade francesa ou em qualquer outra sociedade, e isso não deixa de ser de fato um tantinho inquietante.

P.S.: Apesar do momento um tanto difícil e de incertezas e frustrações que se somam a cada dia, só para lembrar a todos que o tem acompanhado que este esnobe blogue completa hoje o seu primeiro aniversário. Espero continuar com ele por algum tempo, embora, depois de tudo o que tem me acontecido de junho para cá, no fundo, no fundo, eu preferiria mesmo é ter permanecido para sempre na Toscana, tomando vino rosso, comendo salame de funghi porcini, disputando campeonato de lançamento de queijo ou procurando trufas brancas nas florestas escuras e nas montanhas escarpadas da Garfagnana. Mas vamos em frente. Com ou sem trufas.