
Rapaz todo certinho (Zach Braff, lembrando um pouco o Dustin Hoffman de A Primeira Noite de um Homem, mas só um pouco) conhece garota toda certinha (Jacinda Barrett). Rapaz se junta a ela. Ela fica grávida. E ele entra em crise. Arquiteto, beirando os 30, sente que sua vida tenha sido um tanto planejada demais, correta demais, com tudo caminhando para um desfecho previsível e monótono ao lado de sua bela namorada, que certamente virará esposa, com direito a festinha, convites na gráfica, bolo e arremesso de buquê. No fundo, anseia para dar mais alguns beijinhos e amassos e outras coisas para além do baixo ventre. Anseia por uma certa inconseqüência que nunca teve na vida. Num casamento, conhece outra garota (Rachel Bilson), uma universitária. Um flerte. Encantamento mútuo. Paixão. E lá vêm os tais beijos a mais. E outra crise para ele, agora familiar. Assim como para seus amigos e sogros, eles mesmos envolvidos em suas próprias crises, com exceção de um barman amigo deles, todo lúbrico, despreocupado e que é o oposto de todos.
Agradável de ver, bem filmada pelo diretor Tony Goldwyn e seguramente bem interpretada, esta refilmagem do italiano O Último Beijo (2001), de Gabriele Muccino, não se livra, no entanto, das obrigações conjugais que arremessa impiedosamente nas costas do personagem de Zach Braff, enchendo-o de culpa e remorso. Ele deveria ter largado tudo e seguido os seus buddies rumo à Terra do Fogo. Afinal de contas, ninguém é perfeito, tudo se perdoa e o mundo é grande demais para ficar limitado à varanda da casa, especialmente aos 30 anos. E ponto final, seu Paul Haggis.