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segunda-feira, abril 23, 2007

Motoqueiros Selvagens

(Wild Hogs, EUA, 2007)



O Sem Destino dos caras em crise de meia idade e em plena era de American Chopper. Ou seja, rebeldia de mentirinha na estória dos quatro caretões (vividos por John Travolta, William H. Macy, Tim Allen e Martin Lawrence) que decidem dar um tempo em suas vidas monótonas ou sem perspectivas e saem de moto pela América, revivendo os bons tempos como os Wild Hogs (ou "javalis") do título original. Sem esposas, sem celulares, sem calças e, em determinado momento, sem combustível, enfrentarão ainda uma gangue de motoqueiros barra pesada, liderada por Ray Liotta, repetindo as mesmas caretas que o tornaram conhecido em Os Bons Companheiros (1990). Tudo sem muita graça também, pois não há química entre os quatro protagonistas. Se fossem buddies de longa data, nadariam peladões na cachoeira sem o menor problema. Não parecem buddies. William H. Macy, no entanto, se sobressai mais uma vez como o eterno loser, aqui à procura de um amor, que encontrará na adorável garçonete de uma cidadezihha, vivida por Marisa Tomei, neste filme dirigido sem muito entusiasmo por Walter Becker e que, mesmo assim, tornou-se um inesperado sucesso de bilheteria nos EUA. Conta ainda com a aparição de Peter Fonda, o eterno "easy rider", no finalzinho. Sem rumo, no entanto.

sexta-feira, abril 20, 2007

Homicídio

(Homicide, EUA, 1991)



Uma investigação (mal)conduzida pelo FBI, à procura de um traficante e assassino negro (Ving Rhames), resultará em tiroteios, mortes e truculência. Menos na prisão do suspeito. Por isso, a prefeitura decide tirar o FBI do caso e retorná-lo à polícia. Dois policiais experientes da Divisão de Homicídios, Bobby Gold (Joe Mantegna) e Tim Sullivan (William H. Macy), são escalados. No caminho para deter uma testemunha importante, deparam-se por acaso com o assassinato de uma velha senhora judia. Gold, calejado negociador de origem israelita, mas há muito afastado do judaísmo, acaba sendo escalado para este novo caso, a contragosto. À medida que se aprofunda nas investigações, se deparará com suas raízes judaicas, sua identidade, sua condição de eterno estrangeiro no mundo dos brancos e cristãos (goyim). Americano? Nem tanto. Descobrirá também uma organização secreta sionista que combate neonazistas. É convocado a colaborar com ela. Mas, para isso, terá que trair seu juramento como policial. Entre o dever e a identidade, naturalmente, entrará em conflito. Mas não desistirá também de capturar o traficante negro, tornando as coisas mais tensas e ainda mais angustiantes para ele.

Um filme à maneira de David Mamet: sólido, com uma trama de reviravoltas que é mero pretexto para o protagonista questionar sua identidade, para desconfiar o tempo todo do que é mostrado como evidência de verdade alguma, com diálogos incisivos, duros, agressivos, que enfatizam frases e palavras de ordem repetidas o tempo todo, clima noturno e sólidas interpretações de Joe Mantegna (As Coisas Mudam, Jogo de Emoções) e William H. Macy (Oleanna, Mera Coincidência, Spartan, Edmond), habituais colaboradores de Mamet. Outras caras conhecidas de filmes de Mamet, como sua esposa Rebecca Pidgeon e o ator (e mágico) Ricky Jay, também marcam presença em papéis pequenos, mas importantes. No final das contas, neste mundo de relações perigosas, aparências se revelam enganosas e identidades, escorregadias, num dos melhores trabalhos de Mamet como diretor.

Visto num DVD vendido nas bancas e que traz ainda, na mesma edição, o claustrofóbico American Buffalo (96), de Michael Corrente, baseado em peça de David Mamet.