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quarta-feira, abril 09, 2008

Jumper

(EUA, 2008)



Na adolescência, o muito maltratado pelos colegas David Rice (Hayden Christensen) descobre que tem a incrível capacidade de se teletransportar pelo mundo, para onde bem entender. Assim, foge do pai abusivo (Michael Rooker) e cotidianamente rouba uns trocados dos cofres de bancos que invade sem esforço, para viver muito bem uma despreocupada, ainda que solitária, rotina de globetrotter, em que acorda em Nova Iorque, passa o dia em Londres, ou em Tóquio, ou no Egito, ou no Havaí, e depois retorna tranqüilamente para o lar, são e salvo. E, melhor, sem jet lag. Tudo vai no bem bom até passar a ser alvo dos Paladinos, uma seita proto-religiosa que há séculos combate esses "jumpers", liderada por Roland (Samuel L. Jackson), obcecado em exterminá-los um a um, onde quer que estejam. Descobrindo também que há outros como ele, como Griffin (Jamie Bell), David vê-se no centro de uma guerra, pondo em risco não só a sua vida, mas a de sua família (ou o que restou dela) e, principalmente, a de uma antiga paixão de adolescência (Rachel Bilson).

Ótimo conceito, muito bem aproveitado e executado pelo diretor Doug Liman (Swingers, Vamos Nessa, A Identidade Bourne), num filme divertido e ágil, que não enrola e que tem como maior mérito a declarada despretensão ao longo de seus gostosos noventa minutos, além de dinâmicas (alguns chatos "dissonantes" dirão "tremidas") e inventivas cenas de ação around the world.

segunda-feira, novembro 19, 2007

1408

(EUA, 2007)



Vultos, poltergeists e assombrações não passam de mitos e invencionices para o escritor Mike Enslin (John Cusack interpretando John Cusack pós-Identidade), que, separado da mulher e em crise, já convive um tempo considerável com o fantasma bem concreto da perda da sua filha. Desde então, sem inspiração para novas estórias, dedica-se a desmascarar supostos fenômenos paranormais em quartos de hotéis e pensões com fama de serem altamente amaldiçoados. Até que um dia, a fim de completar mais um capítulo para o seu livro "Dez Noites em Quartos de Hotel Mal-Assombrados", interessa-se em hospedar-se no quarto do título, no tradicional hotel nova-iorquino Dolphin e onde ninguém teria sobrevivido mais de uma hora, de acordo com o gerente do lugar (Samuel L. Jackson), que tenta, sem sucesso, dissuadi-lo da idéia. Devidamente instalado, as assombrações, claro, começam a aparecer. Ou não seriam delírios, frutos de seu enlouquecimento progressivo e paranóia? Apesar de alguns sustos esperados, mas não descarados, e da reviravolta final um tanto frustrante, um filme que tem seu charme no visual elegante e na maneira como o diretor sueco Mikael Håfström (Evil – Raízes do Mal, A Maldição do Lago, Fora de Rumo), construindo aos poucos o suspense, se esforça para desdobrar o exíguo espaço do local em mundos surrealistas que remetem diretamente ao universo da série Além da Imaginação, evitando toda aquela sangria desatada. Assim, uma adaptação mais do que razoável de um conto de Stephen King que, se não entra para a história como o clássico O Iluminado (1980), com quem compartilha alguns elementos em comum, ao menos, deixa-se ver e ainda provoca algumas inquietações bem concretas sobre a natureza sinistra dos quartos de hotéis, onde tantos se hospedam e inevitavelmente deixam lá suas marcas, como fluidos ou sangue ou mesmo a sua solidão e abandono. Ainda que não mais corpóreas, depois de lavadas, limpas, aspiradas, higienizadas, sempre estarão lá, na banheira, nos lençóis, no carpete e, sobretudo, na cabeça do próximo hóspede...