
Sustos genuínos (eu digo genuínos mesmo! De pular da cadeira!) nesta eficiente e curta empreitada digital dos diretores Jaume Balagueró (A Sétima Vítima) e Paco Plaza (Roma Santa), “revivendo” os filmes de zumbis de acordo com a estética do vídeo caseiro, consagrada em A Bruxa de Blair e retomada recentemente em Cloverfield, Redacted e, principalmente, Diário dos Mortos, do mestre George Romero, só que concentrada em poucos espaços. No caso, no quartel do corpo de bombeiros e num prédio de apartamentos em Madri, palco dos momentos mais claustrofóbicos, para onde seguem a repórter Angela (Manuela Velasco) e o cinegrafista Pablo (o ponto de vista do filme), que, a fim de fazer uma reportagem para o programa noturno “Enquanto Você Dorme”, acompanham filmando incessantemente a rotina de bombeiros, especialmente quando estes, junto com policiais, atendem a uma chamada vinda do prédio. Tudo muito banal, até que um dos policiais sofre um ataque de uma moradora enlouquecida: uma mordida, que transmite uma infecção capaz de tornar a vítima em zumbi raivoso. Logo em seguida, sem maiores explicações, o prédio é isolado pelas autoridades sanitárias, e os bombeiros, moradores, policiais e, principalmente, Angela e o cinegrafista, sem nunca deixar de registrar o que se passa lá dentro, são impedidos de sair. A cada nova mordida, claro, a epidemia se espalha, numa sangria desatada. Sem muita enrolação, começa então um sobe-e-desce de escadas, em momentos de gelar a espinha, neste filme enxuto, que aproveita muito bem os exíguos espaços em que o terror, solerte, se imiscui em cada canto ou apartamento escuro e se revela numa abrupta virada de câmera, até o final arrepiante, que ainda consegue encaixar a tradicional rivalidade entre portugueses (“Medeiros”, hehehe) e espanhóis e evocar mais uma vez, ainda que brevemente, um certo misticismo religioso comum às duas nações. Pena que os americanos, para estragar tudo, como andam fazendo com os terrores asiáticos, já o estejam refilmando como Quarantine...