
Do mesmo jovem diretor de Jogos Mortais (2004), mas felizmente sem os mesmos excessos e maneirismos visuais deste, um movimentado e eficiente vigilante movie, que atualiza a premissa básica da justiça com as próprias mãos de Desejo de Matar, baseando-se inclusive em livro do mesmo autor, Brian Garfield, acrescentado de nuances psicológicas e enriquecido por uma soturna atmosfera que remete instantaneamente ao clássico de Michael Winner. Aqui, é a vez de Kevin Bacon, como Nick, um bem-sucedido diretor de uma grande companhia de seguros e pai de família exemplar, ver seu filho mais velho e esportista promissor ser estupidamente assassinado durante assalto a um posto de gasolina por um delinqüente em processo de iniciação para ser aceito na gangue que comete o roubo. O assassino obviamente é solto. E obviamente Nick o mata, quase que instintivamente. Passa então a ser perseguido sem trégua pela gangue de tipos animalescos, numa escalada de violência e vingança mútua que destruirá o que restou de sua família e, sobretudo, de sua humanidade. Mas Nick, antes incapaz de segurar um revólver, não vai deixar barato, pois de tanto encarar o(s) monstro(s), torna-se ele um monstro também, só que cada vez mais armado e psicótico, mergulhado num pesadelo que não parece ter fim, em filme bem levado por James Wan, que conta com Kevin Bacon, excelente num papel bastante físico, e uma eletrizante perseguição, filmada quase sem cortes num edifício-garagem por uma câmera que desliza sem treme-treme pelas ruas e plataformas, como seus principais trunfos, além de participações de John Goodman, como o homem que arma Nick, e de Kelly Preston, que faz a esposa do todo certinho pai de família tornado justiceiro implacável. Enfim, assim como o recente Valente, de Neil Jordan, um filme matador.