
Como sabemos, o cinema é a arte da imagem em movimento. Do que é visto na tela grande. Aqui, no entanto, especialmente nas cenas de luta, quase nada se movimenta e quase nada se vê. Tudo é muito escuro ou lento demais, quando não estático, neste pastiche de O 13º Guerreiro com Dança com Lobos e Rambo – Programado para Matar, em que um jovem escandinavo deixado para trás após uma violenta incursão de vikings no Novo Mundo, sobrevivente de um confronto com os nativos, é adotado por eles. Cresce na tribo, onde ganha o nome de Fantasma (Karl Urban). Numa nova e brutal investida dos chifrudos, defenderá seu povo. O dos ameríndios, está claro, isso bem antes da chegada de Colombo. E será caçado pelos vikings.
Esta produção, refilmagem de Ofelas, filme de 1987 do norueguês Nils Gaup, e até que caprichada nos figurinos, teria muito potencial para ser uma grande aventura épica se o tirânico diretor teutônico Marcus Nispel (do recente remake de O Massacre da Serra Elétrica) não se preocupasse tanto em ser “über-estilizado” a todo segundo, chamando uma atenção desvairada para qualquer detalhe captado por sua câmera exageradamente publicitária, especialmente nas confusas cenas de ação, em que, à maneira de Corpo Fechado e sem se preocupar em distinguir quem é quem, abusa da câmera lenta, dos closes, dos tons cinza-esverdeados da fotografia, dos mantos e cavalos afundando vagarosamente no lago cuja superfície congelada se parte, do sangue jorrando sempre em contraste com a neve cinza ou na contraluz estourada, tornando tudo mais e mais aborrecido, além de fazer dos vikings seres ridiculamente monstruosos, carniceiros e burros, entre outras barbaridades, numa estória cheia de absurdos, em que um galã sem qualquer carisma como Karl Urban, mesmo na neve, num frio congelante, dá uma de carioca e não veste uma camisa sequer! Unsinn (absurdo)!