Mostrar mensagens com a etiqueta Juliette Binoche. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Juliette Binoche. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, outubro 31, 2007

A Retirada

(Disengagement/Désengagement/Hitnatkoot, Israel/França/Alemanha/Itália, 2007)



Em Kedma (2002), possivelmente a obra-prima de Amos Gitai, tratava-se da conquista da Palestina pelos judeus desterrados pelo Holocausto e pela guerra. Em Kippur (2000), tratava-se de mantê-la durante a guerra do Yom Kippur. Neste A Retirada, trata-se da desocupação de parte dela. No caso, da recente retirada unilateral dos colonos judeus assentados na faixa de Gaza. Sob a superfície, os efeitos dessa decisão do então primeiro-ministro Ariel Sharon na vida pessoal dos envolvidos, em especial numa francesa de origem israelense (Juliette Binoche) e em seu irmão adotivo, o sabra Uli (Liron Levo), oficial do Exército israelense encarregado da desocupação, que não deixa de ser dolorosa, pois agora são judeus evacuando judeus. Morando na França, com a morte do pai, ela descobre o paradeiro da filha que tivera durante a adolescência num kibbutz e que hoje é professora em Gaza. Depois do funeral, parte com o irmão para Israel. E, no meio da desocupação, em meio a bloqueios e dificuldades burocráticas, além do caos e clima de tensão, ela reencontra a filha num abraço dos mais tocantes. Ao mesmo tempo, em elaborados travellings laterais e planos-seqüência, marca registrada do diretor, a desocupação é mostrada num tom seco, cirúrgico, quase documental, que tende a reabrir novas feridas, desta vez entre os israelenses. Antes, na casa de Binoche, em Avignon, num belo momento no velório do pai, a soprano Barbara Hendricks entoa um trecho de “Das Liede von der Erde”, de Gustav Mahler, que falava, entre outras coisas, do caráter efêmero do homem neste planeta, para além das fronteiras artificiais de nacionalidade, algo que é discutido antes no trem, durante a viagem de Uli a Avignon, com uma palestina (Hiam Abbas, de Free Zone e Munique) que encontra no corredor do vagão e por quem se enamora, neste que é mais um belo e doloroso trabalho deste prolífico diretor israelense, que mostra também que, fora de Israel, uma palestina e um judeu conseguem se entender muito bem, ainda que por poucos minutos, pelo breve flerte que têm. O que não acontece aqui entre os israelenses, sempre tensos e exaltados. E que traz também Juliette Binoche linda, nua e, ao menos na primeira parte, bem mais alegre e sorridente do que nos filmes chororô anteriores que têm protagonizado.

sexta-feira, abril 20, 2007

Maria

(Mary, EUA/Itália/França, 2005)



A fé que vai e vem neste tumultuado mundo moderno, onde aparentemente não há mais espaço para ela, a não ser para egos, e onde religião muitas é confundida com fanatismo. É de aparência, sobretudo, que trata este filme de Abel Ferrara, em que uma atriz, Marie Palese (Juliette Binoche, bonita e lacrimosa), após interpretar Maria Madalena no polêmico filme sobre a vida de Cristo, “Esse é Meu Sangue”, do chatíssimo diretor e ator Tony Childress (Matthew Modine), e que traz Madalena como centro das discussões teológicas, relegando os apóstolos a um segundo plano, tem uma epifania, larga tudo e passa a peregrinar como Madalena pela conturbada Terra Santa. Tempos depois, na época do lançamento da produção em Nova Iorque, o diretor é convidado pelo apresentador Ted Younger (Forest Whitaker), que entrevista teólogos, padres e historiadores sobre o cristianismo, para se juntar ao debate no seu programa televisivo semanal. Será duro com ele. Ao mesmo tempo, Ted, cuja mulher (Heather Graham), solitária, está grávida, mantém um affair com uma produtora (Marion Cotillard). Um dia, sua esposa passa por complicações. O bebê nasce prematuro e, frágil, corre riscos. Ted, até então cético, volta-se para Deus, obviamente. Ao mesmo tempo, tensões e ameaças de atentado tumultuam a première do filme de Childress, para seu desespero. Mas não era o que queria? Fazer barulho? Chamar a atenção? Bem feito.

Conduzido por desgastados debates religiosos, fica apenas na aparência. Não produz nenhum milagre, nenhuma epifania. É apenas monótono quando se quer polêmico, profundo ou religioso, no sentido de “religare”, religar Criador com a criatura, quando não pretensioso do início ao fim, embora explore bem as locações em Israel e Forest Whitaker esteja fantástico, como sempre. Grande ator. Filme, menos, menos.

Agora, as pedradas.