
A história de um mineiro que procura pela ex-mulher e pela filha na região que está para ser alagada pelo lago da represa de Três Gargantas, cujas águas encobrirão vilas, sítios arqueológicos milenares, povoados e cidades inteiras, deslocando milhões de pessoas dali e desfazendo vidas. Parte da cidade por onde anda, por exemplo, já está no fundo do lago, tragada pelas águas da modernização. E uma outra história de uma enfermeira que busca o marido, engenheiro da usina, para obter o divórcio. Filme de imagens eloqüentes e poucas palavras, como os anteriores de Jia Zhang-Ke (Plataforma, O Mundo), menos criptico no entanto e cristalino nas metáforas visuais, além de laureado com o Leão de Ouro no último Festival de Veneza. Lento e contemplativo, de apreciação vagarosa sobre as ruínas de um mundo prestes a desaparecer em nome do progresso autoritário do capitalismo de Estado chinês e cujas marcas ficarão impressas apenas na memória dos que passaram por lá ou nas cédulas da moeda chinesa Yuan, em momento emblemático, apesar de alguns toques de fantasia e surrealismo não muito convincentes em sua segunda metade.