
Ao contrário dos adolescentes de Paranoid Park, de Gus Van Sant, que, na ausência de adultos, tentam entender e se expressar ou se calar num mundo bastante nebuloso ao seu redor, mas que acabam girando em falso em torno dele, representado pelas repetitivas manobras de skate, os adolescentes, ou melhor, Juno, a adolescente do título deste pequeno filme, move-se num mundo ensolarado, fofinho e transparente, embalado por uma trilha alternativa que se quer legalzinha, sublinhando de maneira óbvia os momentos mais cômicos, que são muitos, ou os mais emocionais, que são consideráveis, como nos filmes de Wes Anderson. Menina precoce e inteligente, aos 16 anos, Juno (Ellen Page) decide ter a primeira transa com o seu melhor amigo (o magrelo, mas bastante simpático Michael Cera, de Superbad - É Hoje). Mas, mesmo se achando tão inteligente e capaz de tomar a iniciativa, ficando inclusive por cima do rapaz na hora do coito, acaba engravidando logo de cara. Como no superestimado Ligeiramente Grávidos (2007), o sexo aqui é castrador, típico da Era Bush, e tolhe cedo as liberdades da menina, que mesmo assim, e com o apoio do pai compreensivo e da madrasta nem tanto, decide ter o bebê e doá-lo depois a um casal que escolheu num anúncio de jornal com a ajuda da amiga cabeça-de-vento. O casal, representado por Jason Bateman e Jennifer Garner, repetindo a parceria de O Reino (2007), parece ser um daqueles pares perfeitos, típicos dos subúrbios de classe média alta da América vistos nos comerciais de margarina. Especialmente ele, que é supercool, pois é músico guitarrista e curte bandas e filmes Z de terror, tal como Juno. Assim, além do bebê, gesta-se uma amizade que se quer adulta, graças às intromissões freqüentes da menina no dia-a-dia do casal, no dele, sobretudo, que ela depois descobre não ser tão perfeito quanto esperava. Filme simpatiquinho de Jason Reitman (Obrigado por Fumar, 2005) e um tanto ordinário em seu artesanato, moldado como inúmeros outros filmes ditos independentes americanos, apoiado essencialmente na performance de Ellen Page, que, com suas tiradas engraçadinhas, age quase sempre com aquele mesmo tom de irritante superioridade diante do mundo, visto no igualmente emasculador MeninaMá.Com (2005), embora ela aqui aparente ter um pouco mais de coração. Decepcionante, apesar do grande sucesso de bilheteria e das imerecidas indicações aos principais prêmios Oscar deste ano.