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segunda-feira, março 10, 2008

10.000 a.C.

(10.000 b.C., EUA, 2008)



"Ô meu, sai fora! Aqui não é a Era do Gelo não, mané!"

Embora se passe antes de Cristo, tá cheio de Cristo barbudo e com dreadlocks correndo atrás de mamutes peludões, neste filme de Roland Emmerich em que uma tribo de bons selvagens, sofrendo a escassez de alimentos, tem vários de seus membros seqüestrados e escravizados por maus selvagens. Ou melhor, pelos "civilizados" de unhas cumpridas e lápis nos olhos da nascente civilização egípcia, que, para erguer suas pirâmides faraônicas, capturam inclusive a órfã Evolet (Camilla Belle, de Quando Um Estranho Chama), menina de belos olhos azuis e consagrada pela feiticeira tribal como prenúncio de uma antiga profecia que vai livrar a tribo da atual situação de penúria, e que obviamente se cumprirá, já que o jovem e valoroso D'Leh (Steven Strait), filho de um caçador que abandonou a tribo e visto como um covarde por todos, parte para resgatá-la e assim provar que é capaz de segurar firme na grande lança branca de Tic-Tic (Cliff Curtis, de True Lies e Sunshine - Alerta Solar)!

Como bom alemão, Emmerich sempre curtiu um apocalipse e foi capaz de criá-lo até que bem, ao menos em algumas seqüências de filmes-catástrofe (ou catástrofe de filmes?) como Independence Day (1996) e O Dia Depois de Amanhã (2003). Aqui, no entanto, sem o mesmo grau de destruição, com vários elementos e referências já visualizados antes (e melhor) em Apocalipto (2006), efeitos especiais que fazem tudo parecer de mentirinha e um elenco sem nenhum carisma, em que até a gata da Camilla Belle está bem enfeiada, precisando urgente fazer uma escova nos cabelos, um espetáculo nada épico e pra lá de bocejante, prejudicado ainda mais pela monótona narração de Omar Sharif. No final das contas, há que se dar crédito mais uma vez ao ator, filológo,homofóbico, católico obscurantista, membro da Associação Nacional do Rifle (NRA), raivólotra assumido e cineasta bebum anti-semita Mad Mel Gibson: seu megalomaníaco Apocalipto, apesar de usar e abusar da câmera lenta e de referências chupadas de outros filmes, como Rambo e A Prova do Leão, é bem mais eletrizante. E nele o sangue jorra pra valer!