Mostrar mensagens com a etiqueta Alex Garland. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alex Garland. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, junho 21, 2007

Extermínio 2

(28 Weeks Later, Reino Unido/EUA/Espanha, 2007)



Substituindo as longas e poéticas tomadas de Londres abandonada do anterior pelo campo, começa em ritmo forte esta continuação do excelente filme de Danny Boyle, aqui a cargo do espanhol Juan Carlos Fresnadillo (Intacto, 2001), adepto da correria. E não pára mais. Até o desenvolvimento mais aprofundado dos personagens passa a ser secundário. Durante a epidemia que transformou a população da Inglaterra em zumbis canibalescos velozes e furiosos, dizimando-a, os remanescentes tentam a todo custo sobreviver em meio aos despojos. Em mais um ataque numa fazenda, um deles (Robert Carlyle) consegue escapar, deixando para trás a mulher (Catherine McCormack). Semanas depois, com a epidemia controlada, os sobreviventes começam a retornar ao país, sob forte vigilância do exército americano. No entanto, um deles, justamente a mulher abandonada na fazenda, carrega o vírus e, ainda que imune a ele, volta a espalhar a contaminação. Então, outros sobreviventes, sobretudo dois irmãos, filhos dela, passam a ser perseguidos tanto pelos novos zumbis, ou infectados, como pelos militares, que tentam deter a ameaça a qualquer custo. Mais brutal, mais tenso e auxiliado ainda pelo bom uso da câmera na mão, chacoalhante, para acentuar a ação e os confrontos viscerais, num clima de caos generalizado, tem um final ainda mais sintético e apocalíptico que o anterior, homenageando Zombie (79), de Lucio Fulci. Produzido por Boyle, Alex Garland et caterva (Sunshine, 07, A Praia, 99), mantém ainda a convicção de ambos de que essa humanidade, cada vez mais desumana em sua determinação autofágica, não tem jeito mesmo. Eletrizante.

terça-feira, abril 17, 2007

Sunshine – Alerta Solar

(Sunshine, Reino Unido, 2007)



Uma nave ruma não em direção ao infinito escuro do espaço, mas à claridade absoluta, que é tão misteriosa e fascinante quanto. E gera efeitos horripilantes em quem a contempla demoradamente.

Num futuro não muito distante, o sol está morrendo e, com ele, toda a vida do planeta Terra. Uma missão tripulada, apropriadamente denominada Ícaro, é enviada à estrela para fazê-la “reacender” por meio de bombas nucleares. Desaparece. Anos depois, uma outra nave, Ícaro II, em forma de um grande guarda-chuva, parte para lá com o mesmo propósito. Encontra a outra nave à deriva. Os tripulantes decidem resgatá-la. E sabotagens variadas e estranhas perturbações passam ocorrer entre eles, comprometendo a missão, a segurança de todos e o futuro do planeta. Aqui, importa menos a trama ecológica e com viés esperançoso, atípico da carreira do diretor Danny Boyle, e mais o confinamento dos personagens, colocados em situações-limite e que começam a se autodestruírem, decidindo quem vive e quem morre, da mesma forma que em Cova Rosa (94), Trainspotting (96) e Extermínio (2002). Isso e mais os bons efeitos especiais, que dão ao filme um visual de tons ora azulados, ora amarelados e que vão modulando um magnífico balé de luzes, apesar da frieza das interpretações, garantem o interesse por este filme de andamento cadenciado, contemplativo, e que recicla idéias de 2001 – Uma Odisséia no Espaço (1968) e Solaris (1972), mas que lembra um pouco também O Enigma do Horizonte (1997), de Paul W.S. Anderson.

E no final, parece dizer o diretor, junto com o roteirista Alex Garland, seu parceiro habitual, que o planeta pode ser revivido, mas a capacidade dos indivíduos de entrarem em acordo é sempre mais remota, sempre improvável, sempre mais difícil, quando não inútil, ainda mais quando, mergulhados no infinito do espaço, contemplam sua própria finitude, sua pequenez, o retorno ao pó, à poeira espacial, diariamente, durante os anos em que dura a missão.